MULHERES

Repúdio a ataques e valorização das profissionais de saúde foram destaques da reunião

Também serão solicitadas à PBH equipe de apoio para a linha de frente contra a Covid-19 e informações sobre a realização de testes

segunda-feira, 20 Julho, 2020 - 18:00
Vereadora Cida Falabella, em participação remota na reunião da Comissão de Mulheres, nesta segunda-feira (20/7)
Foto: William Delfino / CMBH

“Quem cuida, precisa ser cuidado”. As condições físicas e emocionais das profissionais de saúde que atuam na linha de frente do atendimento de pacientes com o novo coronavírus em Belo Horizonte estiveram no centro dos debates da Comissão de Mulheres, nesta segunda-feira (20/7), quando foram propostas ações voltadas à valorização, apoio e respeito a essas profissionais. Entre as deliberações, a serem aprovadas na reunião da próxima semana, Moção de Repúdio contra ataque ao Conselho Municipal de Saúde; e Moção de Valorização da categoria, em tempos de pandemia. Também serão encaminhados pedido de informação à Prefeitura sobre testes; e indicação, solicitando equipe de apoio para a linha de frente. Foram sugeridas, ainda, abertura de canais voluntários de atendimento psicológico; participação do Conselho Tutelar, com o acompanhamento de vítimas e familiares; e apresentação de projetos de lei relativos à saúde sexual e reprodutiva das mulheres, bem como realização de oitivas e audiências públicas.

Segundo a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Carla Anunciatta Carvalho, é elevado o número de infecções entre usuárias e trabalhadoras do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela informou que, de acordo com critérios científicos do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, foram apontados dois indicadores vermelhos, que dizem respeito à ocupação de leitos de CTI e enfermaria e à transmissão do vírus, salientando que, desde o princípio de julho, o Hospital das Clínicas e a Santa Casa de Misericórdia já estavam com 100% dos leitos ocupados. Conforme Anunciatta, desde o final do mês de maio, com a reabertura do comércio, o número de óbitos cresceu na cidade. Diante desse quadro, o Conselho solicitou à Prefeitura o lock down.

Na oportunidade, o Conselho anunciou, também, a criação da Comissão Interinstitucional da Saúde da Mulher nesse período, que vem discutindo questões como planejamento reprodutivo na pandemia, abertura da maternidade Leonina Leonor, que realiza o parto normal de gestantes de baixo risco, e direito de mulheres a acompanhamento na hora do parto e a internação.

No que se refere, especificamente, à  saúde mental das profissionais da saúde, Anunciatta informou sobre a criação do Programa de Atenção à Saúde Mental de Trabalhadoras e Trabalhadores da Gestão Municipal, pela PBH. Devido a medidas adotadas pelo Conselho, a presidente comentou que sofreu ataque nas redes sociais, como ameaças de estupro e morte, além de desqualificações à sua pessoa.

Casos relatados

Na reunião, a psicóloga clínica e psicoterapeuta de casais e família, Maria da Conceição César, destacou que 70% das mulheres, entre enfermeiras, técnicas, auxiliares, assistentes sociais, psicólogas e médicas, estão na linha de frente de uma “guerra”. Ela citou casos que atende em seu consultório, de colegas, médicas, enfermeiras e trabalhadoras domésticas, que não deixaram de trabalhar nesse momento e vêm sofrendo agressão de seus companheiros, filhos adultos, parentes, até mesmo de médicos. Também falou sobre situações de racismo, enfrentadas no dia a dia no trabalho. Outra angústia apresentada nas sessões é, segundo ela, o medo dessas profissionais de contaminarem seus companheiros, parentes e filhos, optando, muitas vezes, por não retornarem do trabalho para suas residências e hospedando-se em hotéis e pousadas. Há também relatos de mulheres que sentem-se “presas” na casa de suas patroas, para evitarem o risco de contaminação no transporte público, que acabam por se afastar de seus familiares. Falando sobre a pressão sofrida por essas profissionais, cobradas quanto a seus papéis em casa e no trabalho, destacou a importância de preservar a saúde física e emocional, considerando que, além de cuidarem dos outros, elas precisam ser cuidadas. Na oportunidade, a psicoterapeuta sugeriu que sejam abertos, por psicólogos, espaços de atendimento voluntário a mulheres carentes, em tempos de pandemia.

Preconceitos enfrentados

A enfermeira obstétrica do Hospital das Clínicas da UFMG e presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras, Juliana Maria Almeida do Carmo, apontou, por sua vez, preconceitos enfrentados pelos (as) enfermeiros (as) em relação aos (às) médicos (as), informando que as profissionais da área de Enfermagem são a segunda maior categoria do país, fazendo-se necessárias mudanças no sistema de saúde quanto ao cerceamento de potencialidades da classe. Ela citou como exemplo prescrições e procedimentos invasivos, que podem ser, atualmente, executados somente por médicos. Para ela, durante a pandemia, questões econômicas superam ações sociais e de cidadania, salientando-se que poucos enfermeiros ocupam cargos de liderança na gestão da saúde.  

Encaminhamentos

Conforme proposta do vereador Edmar Branco (PSB), ao final da reunião, o Colegiado deliberou sobre a apresentação de Moção de Repúdio contra ataque à presidente do Conselho Municipal de Saúde, Carla Anunciatta Carvalho; e de Moção de Valorização dos Profissionais da Saúde, em especial nesse período. Também será apresentada indicação à Prefeitura, sugerindo-se a disponibilização de equipe de apoio especializado para a área de saúde; e encaminhado pedido de informação ao Executivo, para a disponibilização de dados referentes a testes já feitos e a serem realizados entre as (os) profissionais.

Já a vereadora Cida Falabella (Psol), que preside a Comissão, sugeriu a apresentação de projetos de lei relativos à saúde sexual e reprodutiva das mulheres, bem como a realização de oitivas e audiências públicas para debater o tema. O Conselho Municipal de Saúde propôs, por sua vez, a participação do Conselho Tutelar em situações de violência, com acompanhamento psicológico das vítimas e seus familiares, incluindo o uso de anticoncepcionais pelas mesmas, em casos de estupro.

Participaram remotamente da reunião a vereadora Cida Falabella e os vereadores Edmar Branco e Maninho Félix (PSD).

Assista ao vídeo da reunião na íntegra.

Superintendência de Comunicação Institucional

16ª Reunião Ordinária - Comissão de Mulheres