Condomínios e conjuntos habitacionais cobram apoio da PBH em coleta seletiva
Segundo dados apresentados em audiência pública, menos de 13% da cidade é atendida pelo recolhimento de resíduos sólidos da PBH
Fotos :Letícia Oliveira /CMBH
Dos 487 bairros de Belo Horizonte, apenas 60 são atendidos pela coleta seletiva domiciliar, o que corresponde a menos de 13% do total. E essa coleta está concentrada principalmente em vias da região Centro-Sul. Em 2025, foram registradas pela Subsecretaria Municipal de Fiscalização 6.791 demandas relacionadas à deposição clandestina de lixo - quase 19 por dia, em média. Esses foram alguns dos dados apresentados durante audiência pública para discutir a gestão de resíduos sólidos em conjuntos habitacionais e sua relação com o meio ambiente, nesta segunda-feira (18/5), na Câmara de BH. Realizado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana, a pedido dos vereadores Edmar Branco (PCdoB) e Luiza Dulci (PT), o encontro reuniu representantes de associações de catadores e da Prefeitura de Belo Horizonte. Presentes cobraram apoio do poder público no recolhimento de resíduos sólidos.
Gargalo
De acordo com Luiza Dulci, uma reclamação recorrente dos munícipes é em relação à limpeza de Belo Horizonte. Segundo ela, a cidade está suja. “Essa é uma preocupação de pessoas de todas as idades, todas as classes sociais”, disse. A vereadora explicou que a reunião é uma parceria com o Fórum Lixo e Cidadania, gerido pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Edmar Branco destacou a importância do trabalho em conjunto com a administração municipal. “Nós vemos a necessidade de o poder público estar fortalecendo os condomínios, que muitas vezes tentam fazer um trabalho importante, mas não conseguem sozinhos”, falou.
Presidente do Instituto Socioambiental de Promoção da Reciclagem Inclusiva (Iapri), a bióloga Ana Paula Gonçalves Soares apresentou um diagnóstico sobre gestão e gerenciamento de dois condomínios: o Maria Stella, que conta com aproximadamente 2,5 mil moradores; e o Conjunto Habitacional Granja de Freitas II, conhecido como 530, que conta com cerca de 700 moradores. Segundo ela, por suas características, os dois representam bem o universo belo-horizontino. Enquanto o Maria Stella gera 2.617 quilos de resíduos por dia, sendo 917 quilos de recicláveis; o 530 gera 750 quilos por dia, sendo 240 quilos de recicláveis.
“A gestão de resíduos em condomínios e conjuntos habitacionais tem sido um gargalo em Belo Horizonte. Eles têm característica de resíduo domiciliar, mas dispõem de grandes volumes, o que representa um desafio para a limpeza urbana”, afirmou Ana Paula, que realizou o estudo durante um mestrado na Escola de Engenharia - Núcleo Alter-nativas de Produção, da UFMG.
A coleta dos resíduos sólidos do 530 é realizada por um coletivo de catadores autônomos. Joselino Ferraz representou o grupo. “Eu vivo do lixo, eu estou no lixo porque dependo de tudo o que está ali no meio, mas não consigo trabalhar sem a conscientização das pessoas”, falou. De acordo com ele, a situação vem melhorando, graças ao trabalho realizado com os moradores, que estão “mais colaborativos”.
Importância das ações com os cidadãos
Gerente do Departamento de Políticas Sociais e Mobilização da SLU, Kryscia Palhares destacou a importância dos diversos atores se apropriarem da discussão dos resíduos na cidade. Segundo ela, muitas vezes os debates envolvem associação de catadores e poder público, deixando de fora os cidadãos.
“É essencial deixar claro que a reciclagem é uma responsabilidade compartilhada. Os moradores precisam se apropriar dessa discussão”, disse Kryscia Palhares, da SLU.
Para ela, além de expandir a coleta seletiva é preciso fazer campanhas de esclarecimento sobre a relevância da reciclagem.
Representando a Subsecretaria de Fiscalização, ligada à Secretaria Municipal de Política Urbana, Nayara Menezes Fonseca apresentou números sobre a coleta seletiva na cidade. De acordo com a subsecretaria, Belo Horizonte tem 731 pontos críticos de deposição clandestina, sendo as regionais Pampulha e Norte as mais afetadas. A cidade tem ainda 118 pontos de bota-fora mapeados. Em 2025, foram realizadas 14.506 vistorias, registradas 2.391 notificações e lavradas 507 multas por descarte irregular. “Neste início de 2026 foram 3.990 vistorias, 750 notificações e 114 multas”, ressaltou.
Encaminhamentos
A vereadora Luiza Dulci destacou a importância do seminário que irá discutir o tema “Reciclagem em BH: ampliar, melhorar e incluir”, a ser realizado nesta quarta (20/5), a partir das 9h, nos Plenários Amintas de Barros e JK. Entre os temas a serem discutidos estão “Quem paga a conta da reciclagem? Estratégias de financiamento e remuneração do serviço” e “Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos: como avançar na política de reciclagem”. A parlamentar também se comprometeu a discutir a questão dos abrigos de resíduos nos condomínios e a amadurecer o debate sobre os conjuntos mistos, assim como a fiscalização de descarte irregular.
Superintendência de Comunicação Institucional



