SAÚDE PÚBLICA

De janeiro a agosto de 2026, SUS-BH registra R$ 5,9 bi em investimentos

A execução de obras em unidades de saúde e a situação de intervenções atrasadas foram temas de questionamentos dos vereadores

quarta-feira, 30 Setembro, 2026 - 17:45
parlamentares e participantes presentes em audiência pública na câmara municipal de bh

Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH

Gestores do Sistema Único de Saúde de Belo Horizonte (SUS-BH) apresentaram, em audiência pública promovida pela Comissão de Saúde e Saneamento nesta quarta-feira (30/9), relatório sobre os investimentos e serviços ofertados à população no 2º quadrimestre de 2026. De acordo com o documento apresentado, foram empenhados R$ 5,9 bilhões entre janeiro e agosto, o que corresponde a 82,67% do total do orçamento destinado à saúde. Parlamentares questionaram os representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) sobre obras em unidades de saúde como a UPA Pampulha e o Centro de Saúde Jardim Montanhês, e cobraram medidas para reduzir a fila de pacientes que aguardam o início do tratamento de hemodiálise. Os gestores responderam aos questionamentos e se comprometeram a encaminhar as informações solicitadas. A prestação de contas quadrimestral do SUS é prevista na Lei Complementar 141/2012.

Avanços e desafios

O relatório referente às ações e serviços de saúde no 2º quadrimestre foi apresentado pela diretora de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Nadine Magalhães. Ela explicou que os dados são cumulativos, incluindo os resultados do 1º quadrimestre, “para se ter uma percepção mais clara em relação as metas e as propostas para o ano”, disse. De acordo com o documento, foram realizadas 30.343 cirurgias eletivas hospitalares, o equivalente a 72% da meta anual de 42 mil procedimentos. Já as teleconsultas somaram 39.606 atendimentos, correspondentes a 66% da meta de 60 mil. Em relação às consultas especializadas, 59,44% foram agendadas em até 60 dias, diante de uma meta anual de 70%.

Nadine Magalhães destacou o recorde de cirurgias do Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, na Região do Barreiro, que realizou 845 procedimentos em julho, “volume 25% superior à média mensal de 2025”, disse Nadine. Outro resultado positivo, segundo a representante do Executivo, foi a cobertura vacinal da pentavalente em crianças menores de 1 ano, que atingiu 86,17%, superando a meta anual de 85,63%. Por outro lado, o índice de abastecimento de material médico-hospitalar ficou em 63%. Segundo a gestora da SMSA, o resultado foi impactado por atrasos nas entregas de fornecedores e pela pendência de conclusão de algumas atas de registro de preços.

Emendas parlamentares

Em relação às emendas parlamentares, Nadine Magalhães informou que o Município recebeu cerca de R$ 110,5 milhões neste ano, dos quais aproximadamente 72% foram destinados à rede hospitalar. Até o momento, foram empenhados R$ 49,6 milhões, o equivalente a 44,93% do total. Segundo ela, a execução dos recursos destinados a investimentos e reformas enfrenta dificuldades devido à necessidade de vistorias prévias, processos licitatórios e outros procedimentos administrativos.

Balanço de obras

Nadine Magalhães ainda informou que quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão com obras iniciadas: UPA Venda Nova, UPA Oeste, UPA Barreiro e UPA Pampulha, todas com previsão de conclusão em 2027. Também foram iniciadas as obras dos Centros de Referência em Saúde Mental (Cersams) Oeste e Venda Nova, com entregas previstas para janeiro de 2028 e outubro de 2027, respectivamente. No âmbito das parcerias público-privadas (PPPs), foram entregues no 2º quadrimestre os Centros de Saúde Minas Caixa, Parque Centenário e Nova York. A previsão é que o Centro de Saúde Pindorama seja entregue em novembro deste ano, enquanto o Centro de Saúde Santa Rosa tem conclusão prevista para 2027.

Durante a audiência, o vereador Maninho Félix (PSD) questionou o andamento das obras do Centro de Saúde Jardim Montanhês, que já estariam em execução mas não constavam na relação apresentada pela SMSA. Nadine Magalhães informou que a demolição da antiga unidade de saúde do bairro já foi autorizada e que as obras devem começar nas próximas semanas. O parlamentar também cobrou esclarecimentos sobre a retomada das obras da maternidade do Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, que estão paralisadas. Nadine explicou que a paralisação ocorreu devido a questões contratuais, que exigiram o distrato com a empresa responsável e a adoção de procedimentos administrativos.

Dr. Bruno Pedralva (PT) questionou o atraso no início das obras da UPA Pampulha, destacando as condições precárias da estrutura e os sucessivos descumprimentos dos prazos anunciados. Em resposta, a subsecretária de Atenção à Saúde, Lucineia Maria Carvalhais, afirmou que a unidade "é prioritária" e que a planta já foi aprovada, mas ainda há trâmites pendentes em outras subsecretarias. Walisson Medeiros, chefe de gabinete da SMSA, informou que a pendência relacionada ao alvará para o início das obras foi solucionada e que a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (SMOBI) está providenciando a ordem de serviço. A Secretaria Municipal de Saúde também se comprometeu a encaminhar aos vereadores os novos prazos previstos para a intervenção.

Tratamento de hemodiálise

Helinho da Farmácia (PSD) cobrou informações sobre a implantação de um centro de hemodiálise na Região do Barreiro, “demanda discutida há tempos na Comissão de Saúde e Saneamento”, destacou. O parlamentar apontou as dificuldades enfrentadas pelos pacientes, que precisam percorrer longas distâncias até os hospitais que oferecem o tratamento. Em resposta, Walisson Medeiros informou que a SMSA pretende agendar uma reunião com o vereador para avaliar a demanda, a cobertura assistencial e a viabilidade de implantação do serviço na região, em conjunto com a Subsecretaria de Atenção à Saúde. Segundo ele, a intenção é realizar o encontro na próxima semana, para avançar nas discussões e buscar uma resposta à população.

Dr. Bruno Pedralva também ressaltou a importância de um centro de hemodiálise no Barreiro e destacou a longa fila de pacientes que aguardam o início do tratamento em Belo Horizonte. O parlamentar cobrou medidas da Secretaria Municipal de Saúde para ampliar a oferta de vagas em curto prazo. Em resposta, Lucineia Carvalhais informou que a SMSA estuda a implantação do serviço no Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, e que a partir do dia 14 de outubro o Hospital São Francisco, na Região Nordeste da capital, passará a oferecer um quarto turno de atendimento. Segundo ela, também estão em andamento negociações com outros prestadores, incluindo unidades conveniadas ao SUS, para ampliar progressivamente a oferta de vagas e atender os pacientes que aguardam pelo tratamento.

“É um olhar que o secretário [Danilo Borges Matias] também está direcionando e é uma preocupação bem tangente aqui da Secretaria Municipal de Saúde. Estratégias estão sendo pensadas e serão colocadas em prática em breve”, completou Walisson Medeiros.

Dimensionamento de equipes

Dr. Bruno Pedralva ainda questionou o andamento dos estudos sobre o dimensionamento das equipes dos centros de saúde, especialmente em relação aos enfermeiros e médicos de apoio das Equipes de Saúde da Família. Em resposta, Lucineia Carvalhais afirmou que Belo Horizonte mantém a composição das equipes conforme os parâmetros do Ministério da Saúde, sem redução no número de profissionais, na cobertura ou no acesso aos serviços. Segundo ela, o redimensionamento em discussão está relacionado ao alinhamento do cadastro dos profissionais aos modelos assistenciais federais, de forma a adequar a captação de recursos à Política Nacional de Atenção Básica (PNAB).

Dr. Bruno Pedralva, no entanto, contestou a informação, afirmando que, “na prática, há menos médicos e enfermeiros de apoio do que há um ano”. O parlamentar defendeu que as mudanças sejam precedidas de estudos de qualidade e pediu a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte. antes que as mudanças sejam implementadas. Ele também solicitou a apreciação da proposta pelo Conselho Municipal de Saúde. “Nós não somos contra fazer redimensionamento, mas somos contra redimensionar sem estudo de qualidade”, declarou o parlamentar.

Superintendência de Comunicação Institucional

Audiência pública - Finalidade: apresentação, pelo gestor do SUS do Município, de relatório detalhado referente ao 2º quadrimestre de 2026.