SEGURANÇA PÚBLICA

Brigadistas profissionais relatam condições precárias de trabalho

Em audiência pública, categoria também cobra mais fiscalização para empresas de formação e maior reconhecimento por sua atuação

quarta-feira, 11 Março, 2026 - 18:00
Representantes de instituições e brigadistas profissionais reunidos ao redor de mesa durante audiência

Foto: Cristina Medeiros/CMBH

Brigadistas profissionais lotaram o Plenário Camil Caram, na Câmara de BH, para reivindicar melhores condições de trabalho, maior fiscalização de escolas de formação e maior reconhecimento sobre seu trabalho. Os profissionais atuam de forma complementar e integrada ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Entre outras questões, os trabalhadores relataram salários baixos para trabalhos em grandes eventos. A audiência pública foi realizada pela Comissão de Administração Pública e Segurança Pública nesta quarta-feira (11/3), a pedido de Cleiton Xavier (MDB). Os presentes também elogiaram a atuação voluntária dos brigadistas profissionais da capital mineira nas enchentes que atingiram o município de Ubá. 

“Essa é a terceira audiência pública que realizo chamando para a mesa os profissionais brigadistas e os bombeiros civis, tendo em vista que muitas vezes a população de Belo Horizonte não conhece bem a importância desses profissionais em diversos ambientes”, disse o vereador.

Na solicitação da reunião, Cleiton Xavier mencionou a atuação dos profissionais na “prevenção de incêndios, atendimento a emergências e proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente”.

Mais reconhecimento

Cleiton Xavier falou sobre um projeto de lei de sua autoria que estabelece a obrigatoriedade de grandes eventos contratarem, por meio de chamamento de currículo, brigadistas profissionais. “Esse projeto vai valorizar mais a categoria e inibir alguns produtores de evento de Belo Horizonte de convidarem bombeiro civil para pagar irrisórios R$ 80 por 6 horas de trabalho, não valorizando a qualificação técnica dos profissionais”, defendeu.

O vereador Sargento Jalyson (PL) reforçou que "não é possível" a atuação dos Bombeiros Militares nos 853 municípios mineiros. “Mas temos um brigadista lá, alguém que fará um primeiro combate antes que o reforço chegue”, disse, reconhecendo a atuação dos profissionais. Cláudio do Mundo Novo (PL) também parabenizou os profissionais pela atuação em grandes eventos e durante as tragédias climáticas.

Helton de Castro, que trabalha como brigadista profissional, cobrou mais reconhecimento por parte do poder público estadual. 

“Atendimentos como desengasgo, sangramento , a uma pessoa que está com uma crise de ansiedade ou a um cliente que está em um empreendimento e tem uma queda são diários. Em área devastada por enchentes, estamos lá a pronto uso de todos. Nós gostaríamos de ser reconhecidos como um braço forte e direito do Bombeiro Militar", disse. 

Diversos participantes da reunião relataram salários baixos, jornadas cansativas e falta de alimentação adequada. O major da capelania da Polícia Militar, Gilmar Marcos, que também já atuou como brigadista profissional, disse que muitas vezes são “os primeiros a chegar e os últimos a sair”. Ele também relatou participar de grandes eventos sem alimentação. “Tem muito evento que o lanche é por nossa conta, eles dão um 'pãozinho' com margarina para trabalhar o dia inteiro”, relatou. 

Proprietário de uma escola de formação de brigadistas profissionais, Leandro Gomes disse pagar valores dignos para os profissionais que contrata, mas que há “empresas que contratam para pagar um absurdo de R$ 80 a R$ 100 para a pessoa sair de casa e ficar 12 horas em pé”.

O major do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais Magno Eloízio informou que há um processo de “amadurecimento institucional”, mencionando legislações estaduais e nacionais sobre o tema. Ele disse que o Corpo de Bombeiros busca fiscalizar as irregularidades em todos os municípios do estado, mas, no entanto, não conseguem ter conhecimento de todas. Ele pediu que os trabalhadores denunciem via 181 (Disque Denúncia) qualquer situação irregular para que a corporação possa fiscalizar.

Formação dos profissionais

Participantes também relataram má atuação de empresas de formação de brigadistas profissionais. O brigadista profissional André Benfica sintetizou como “formação esdrúxula, sem preparo”. Gomes concordou, e disse que há empresas que abrem “portas de boteco, colocam placa em cima falando que é escola de brigadista” e fazem treinamento de poucas semanas. 

Ambos cobraram maior fiscalização dos bombeiros militares em relação a esses locais de formação. O major do Corpo de Bombeiros respondeu que haverá um novo sistema onde será possível ter acesso e controle às aulas e conteúdos, o que avalia que irá sanar o problema. 

Atuação em Ubá

Outro ponto mencionado por diversos participantes foi a atuação de brigadistas profissionais de Belo Horizonte durante as enchentes que atingiram os municípios mineiros de Ubá e Juiz de Fora. Os profissionais foram parabenizados por vereadores, representantes do Corpo de Bombeiros Militar e outras instituições.

“Não são todas as pessoas que se voluntariam em situação de desastre natural, deixando o conforto de seus lares, deixando de exercer atividade remunerada para, de graça, voluntariamente, se deslocarem para Ubá e Juiz de Fora para ajudarem o próximo”, disse o delegado da Polícia Civil João Paulo Ladeira.

A audiência foi encerrada com o fim do tempo regimental, mas o debate seguiu extraoficialmente com profissionais presentes na reunião.

Superintendência de Comunicação Institucional

novo álbumAudiência pública para discutir sobre o papel do Brigadista Profissional e do Bombeiro Civil em MG, destacando sua importância na prevenção de incêndios, atendimento a emergências e proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente. 5ª Reunião