SEGURANÇA ALIMENTAR

Após denúncia de alimento estragado em hospital infantil, produção da comida é transferida

Refeições eram servidas por empresa terceirizada e, após reclamações, passaram a ser feitas na cozinha do Hospital João XXIII

quarta-feira, 30 Junho, 2021 - 18:30
Foto: Bernardo Dias / CMBH

Após denúncia de alimentação com moscas, larvas e baixo teor nutricional a pacientes e funcionários do Hospital Infantil João Paulo II; atrasos e falta de refeições para crianças com dietas restritivas; e fechamento do refeitório para reformas desde 2019, a Comissão de Saúde e Saneamento realizou audiência pública, nesta quarta-feira (30/6), requerida pelo vereador Dr. Célio Frois (Cidadania), para apurar os fatos. Cobrando da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) o enfrentamento dos problemas relatatos, o Conselho de Saúde do hospital afirmou que a denúncia foi enviada por ofício à Fundação, sem nenhum retorno. A Fhemig informou que a produção dos alimentos foi transferida para o Hospital João XXIII, o que aumentou a satisfação de servidores e usuários. A Comissão de Saúde e Saneamento reforçou a necessidade de ampliação da fiscalização e de agilização das reformas para abertura do refeitório.

Segundo a presidente do Conselho de Saúde do Hospital Infantil João Paulo II, Larissa Furtado Costa, denúncias de funcionários e usuários sobre a constatação de larvas em refeições e de bolos contendo linhas em seu interior foram oficiadas à Fhemig. Contudo, a Fundação alega não tê-los recebido e não ter nenhum conhecimento da situação. A conselheira destacou, ainda, que também foram enviados ofícios aos Conselhos Estadual e Municipal de Saúde, sem obter qualquer solução para o problema. Quanto ao fechamento do refeitório do hospital, em outubro de 2019, Larissa considerou as readequações necessárias, reconhecendo as dificuldades enfrentadas no contexto pandêmico. O Conselho do Hospital Infantil João Paulo II relatou, por fim, que a gestão local notificou a Fhemig Central, mesmo ciente de possíveis retaliações e da abrangência limitada da unidade.

Mudança no fornecimento da comida

A gerente de Coordenação de Nutrição da Rede Fhemig, Déborah Silva, manifestou o compromisso da Fhemig com a qualidade em assistência e segurança, justificando a interdição da cozinha para melhorias. Ela informou que o contrato com a empresa Family Restaurant’s encerra-se no dia 30 de agosto deste ano; que novo processo de licitação encontra-se em andamento; e que contratos licitatórios passam por rigorosa fiscalização. Déborah disse que, nos últimos meses, constatou-se um aumento de satisfação dos servidores, quando a produção dos alimentos passou à responsabilidade da cozinha do Hospital João XXIII. Segundo ela, com cardápio equilibrado, observou-se uma redução do índice de notificações quanto a quantidades fornecidas, avaliação sensorial e pontualidade do serviço.

No que diz respeito à fiscalização da refeição transportada (cerca de 1700 refeições por dia), a coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética da Fhemig, Aline Nascimento, destacou que são realizadas visitas técnicas na cozinha da empresa para a elaboração de relatório técnico. Segundo ela, a alimentação é submetida a vistoria detalhada, incluindo controle de temperatura, atenção às não conformidades com o pedido e a indicadores como quantidades, pontualidade e características da refeição, passíveis de notificações e de desconto na nota fiscal, em caso de descumprimento. A nutricionista disse que, em situações de emergência, em 72 horas, são feitos registros em órgãos de segurança alimentar, para a fiscalização de procedimentos-padrão. No que se refere, especificamente, ao serviço de nutrição, a equipe de fiscalização acompanha o produto distribuído, quanto a pesagem e amostragem (teste degustativo) e, em caso de irregularidade, é feita uma ocorrência, quando a empresa é notificada e cobrada, para realizar adequações.

Reforma do refeitório

O gerente de Infraestrutura Predial da Fhemig, Henrique Coelho, informou que o projeto arquitetônico da obra do refeitório foi paralisado devido à pandemia, com o objetivo de evitar, no momento, a presença de agentes não vacinados nas unidades hospitalares. O gestor disse, também, que está sendo realizado estudo técnico quanto a ações destinadas à área hospitalar, a fim de evitar problemas quanto ao fluxo de pacientes, incluindo urgências, e o não cumprimento de etapas legais, que necessitam da aprovação da Vigilância Sanitária.

Como exemplo, citou a possibilidade de um refeitório único, argumentando, todavia, que o mesmo pode causar filas. O gerente apontou, ainda, as más condições em que se encontram as áreas da cozinha e do refeitório do hospital e a necessidade de reformas e de realocação do serviço de nutrição e dietética. Ele comprometeu-se a apresentar, em até três semanas, um cronograma com prazos e etapas da reforma, ressaltando que, após contratação da empresa a ser licitada, será providenciado novamente o encaminhamento da alimentação à unidade.

Encaminhamentos

O vereador Célio Frois pediu maior fiscalização por parte da Fhemig, sob pena de suspensão do atual contrato e acionamento da Vigilância Sanitária para solucionar a questão. Salientou que, apesar do transporte da alimentação estar comprometido devido ao atual momento, é preciso aumentar a fiscalização. Cobrou, também, que as obras do refeitório sejam concretizadas.

Cláudio do Mundo Novo (PSD) ressaltou, por fim, a importância da presença de representantes do Family’s Restaurante na audiência, não tendo a empresa sido convidada. Dados apresentados no encontro serão encaminhados pela Comissão de Saúde e Saneamento à presidência da Fhemig.

Participaram da reunião os vereadores Dr. Célio Frois, José Ferreira (PP), Cláudio do Mundo Novo, Léo (PSL) e Bim da Ambulância (PSD).

Assista ao vídeo da reunião na íntegra.

Superintendência de Comunicação Instiucional

Audiência pública para discutir e buscar solução referente à obra de reforma do refeitório do Hospital Infantil João Paulo II - 21ª Reunião Ordinária - Comissão de Saúde e Saneamento