Moradores pedem agilidade em obras de cobertura de conjunto na Vila Fátima
Urbel informou que novo telhado deve estar concluído até o fim de outubro e que apartamentos danificados serão recuperados
Foto: Tatiana Francisca/CMBH
“O prédio vai ficar como novo”. Com essas palavras, o representante da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) classificou a reforma iniciada pela empresa em dois blocos de apartamentos da Vila Nossa Senhora de Fátima, Região Centro-Sul da cidade. O cronograma e o escopo das intervenções em andamento foram debatidos em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos, Habitação, Igualdade Racial e Defesa do Consumidor na manhã desta terça-feira (22/9). Durante o encontro, solicitado pelo vereador Uner Augusto (PL), os moradores contaram que problemas estruturais nas unidades dos blocos 8 e 9 começaram em setembro de 2025, quando uma forte chuva acompanhada de ventos arrancou parte da cobertura dos dois blocos. A água teria se acumulado na laje, atingindo os apartamentos, e causando danos a móveis, paredes, tetos e revestimentos. Ao todo, 16 apartamentos foram afetados. A Urbel confirmou que as obras para a reconstrução do telhado foram iniciadas no fim do mês de agosto e que a demora se deu em função da necessidade de licitação. O representante da instituição esclareceu que o contrato firmado prevê a recuperação dos danos causados nos apartamentos e que a previsão é que a obra no telhado esteja concluída até o fim do mês de outubro.
Ventania e telhas de plástico
Ao abrir o encontro, Uner Augusto apresentou fotos feitas na época dos alagamentos, e lembrou que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) realizou vistoria e identificou a necessidade de uma intervenção emergencial. O parlamentar recordou que, em dezembro de 2025, encaminhou pedido de informação à PBH, quando foi informado de que uma lona havia sido instalada no local. Ele contou que continuou cobrando uma solução definitiva para as famílias e que, recentemente, foi informado que as obras foram iniciadas.
Moradora da Vila Fátima, Meire Pinheiro Alves Silva contou que o conjunto foi atingido por um vento intenso que arrancou toda a estrutura de ferragem e plástico que formava o telhado. “Um barulho estarrecedor. Saiu levantando tudo. Nunca vi nada igual”, relembrou. Segundo ela, anteriormente a cobertura era formada por telhas de cerâmica, que foram substituídas por telhas de plástico. “Nos outros prédios que tinham telhas de cerâmica não teve nada, nenhum estrago”, acrescentou.
Danos nos apartamentos
Moradores relataram que os alagamentos provocaram prejuízos materiais e afetaram a saúde das famílias. Maria Creuza Soares contou que a água chegou aos apartamentos acompanhada de sujeira e resíduos de ferragem, e que diversos moradores perderam móveis e roupas. “Não esperávamos tomar esse prejuízo. Fui para a UPA [Unidade de Pronto Atendimento] quatro vezes. Hoje estou à base de remédios”, afirmou.
Patrícia Ramos, moradora do primeiro andar, contou que o gesso do banheiro caiu e os azulejos da cozinha estufaram até se desprenderem. “Queremos saber se eles irão fazer essa reforma. Falar até papagaio fala”, questionou.
Uner Augusto destacou que, no início de 2026, o gabinete voltou a questionar a prefeitura sobre a obra definitiva e foi informado que o projeto estava em processo de licitação. Segundo o parlamentar, em julho deste ano, a obra foi licitada e, no final de agosto, teve início. Segundo ele, porém, uma visita realizada nesta semana por seu gabinete constatou pouco avanço nos trabalhos. Uner Augusto, então, questionou a Urbel sobre a extensão da intervenção, o escopo do contrato e as melhorias previstas.
“Cada dia que passa sem o telhado lá é mais um dia de risco para os moradores”, afirmou Uner.
Conclusão até o fim de outubro
O chefe da Coordenadoria de Projetos e Obras da Urbel, Luiz Delgado, disse que a situação dos moradores vem sendo acompanhada desde o início, com a limpeza do local feita já nos primeiros dias. Segundo ele, as telhas de plástico foram utilizadas após não encontrarem similares às originais no mercado. Sobre a demora para a contratação da obra, Delgado explicou que foi necessário realizar nova contratação para execução do serviço. “Precisávamos trocar, pois havia destelhamento com risco de queda nos moradores". Ele confirmou que a Urbel pretende negociar com a empresa responsável pela obra para acelerar o cronograma das intervenções. "A previsão é de que as novas telhas comecem a ser instaladas nos próximos dias e que, até o fim de outubro, a cobertura total esteja concluída”, afirmou.
“Prédio vai ficar novo”
Ainda segundo Delgado, a nova cobertura será feita com telha de cerâmica e contará com um sistema de amarração diferente, considerado mais adequado às condições de vento do local. “O telhado que está sendo implantado é bem mais robusto e pesado”, explicou o coordenador.
Segundo ele, após a conclusão da cobertura, os engenheiros da Urbel deverão entrar nos apartamentos para avaliar os danos e realizar junto com moradores os apontamentos para reparos necessários. A intervenção também prevê a recuperação de fachadas e passeios. “O prédio vai ficar novo”, afirmou Delgado.
Manutenção e responsabilidade dos moradores
Durante a audiência, moradores também apresentaram demandas relacionadas à manutenção do conjunto. Maria Creuza solicitou vistoria no sistema de abastecimento de água do apartamento 101. Delgado informou que a Urbel fará a verificação e Uner Augusto também se comprometeu a agendar uma visita técnica ao local.
Meire Pinheiro questionou ainda a possibilidade de impermeabilização da laje, lembrando que já houve alagamento causado pelo problema em uma boia da caixa-d’água. O representante da Urbel informou que a impermeabilização não está prevista e ressaltou a responsabilidade dos moradores pela manutenção dos equipamentos. Uner destacou a importância da atuação do síndico para identificar e providenciar esse tipo de serviço.
Encaminhamentos
Ao final da audiência, Uner Augusto recapitulou as informações apresentadas pela Urbel, destacando a previsão para o início da instalação das novas telhas e o compromisso da companhia de recuperar os danos provocados pelo destelhamento. O vereador ressaltou a importância de que os moradores acompanhem a execução dos serviços e cobrem o cumprimento do cronograma apresentado.
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