Vereadores questionam fluxos de trânsito e nova alça de retorno em obras na BR-040
Concessionária diz que trecho entre Anel Rodoviário e Ceasa deve ser concluído em 2027, com faixas adicionais e pistas marginais
Foto: Cristina Medeiros/CMBH
A Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços reuniu representantes da Prefeitura de Belo Horizonte e da concessionária Via Cristais para debater as obras no trecho da BR 040 próximo à capital mineira. O debate ocorreu nesta quinta-feira (2/7), a pedido de Braulio Lara (Novo) e José Ferreira (Pode). Representantes da empresa apresentaram o cronograma das obras que percorre quase 600 quilômetros, entre Belo Horizonte e Cristalina (GO), informando que o trecho entre o Anel Rodoviário e o Ceasa, em Contagem, será finalizado até o final de 2027, com ampliação de duas para quatro faixas por sentido, além de vias marginais. Os vereadores questionaram a compatibilização dos fluxos das novas faixas com o Anel Rodoviário e os trâmites para possibilitar uma nova alça de retorno para os moradores da região Noroeste. O trâmite envolveria a transferência de uma área municipal para a União, o que, segundo o representante da Via Cristais, está sendo dialogado com a prefeitura. Os parlamentares afirmaram que vão buscar formas de acelerar o aval do Executivo para viabilizar a obra.
Cronograma das obras
A Via Cristais pertence ao grupo francês Vinci que tem atuação em 120 países, conforme explicou o diretor de Relações Institucionais da empresa, Frederico Souza. Desde março de 2025, a empresa é a concessionária responsável pelo trecho de 594 quilômetros da BR 040 entre Belo Horizonte e Cristalina (GO), envolvendo 18 municípios. Ele mostrou imagens de como a empresa encontrou a rodovia, com “asfalto completamente deteriorado, sinalização, mato para todo lado tirando a visibilidade da rodovia, lixo e entulho espalhado, parte de drenagem praticamente inexistente”, resumiu.
Souza apresentou o projeto completo da rodovia e informou que os trabalhos iniciais tinham prazo de um ano, mas foram cumpridos em nove meses, adiantando em 90 dias a obrigação contratual. Dentre as ações já realizadas está reforma de pavimento, 135 pontos de reparo profundo, 4,9 mil buracos tapados e 9,2 mil novas placas instaladas, entre outros.
Para os próximos anos, o representante da Via Cristais explicou que estão previstos 168 km de faixas adicionais, 61,7 km de marginais, além de trevos, passarelas, rotatórias e outros. Para 2026 está prevista a implantação de balança, pontos de parada de descanso para caminhoneiros e painéis de mensagens.
Em 2027, o intuito é iniciar (e finalizar no mesmo ano) a implantação de faixas adicionais partindo do Anel Rodoviário até a região do Ceasa, incluindo pistas marginais. Em 2028 a perspectiva é instalar câmeras de monitoramento em toda a rodovia.
”Para ter uma ideia, nesta área do Anel Rodoviário até a região do Ceasa vamos passar de duas faixas por sentido para quatro faixas por sentido e mais duas marginais por sentido. Vamos ter realmente uma rodovia com característica muito diferente do que se tem hoje”, disse o representante da Via Cristais.
Questionamentos dos vereadores
Após a apresentação do projeto da Via Cristais, Braulio Lara questionou a compatibilização das quatros faixas por sentido, mais vias marginais, com um “viaduto estrangulado que só passa uma faixa por sentido”.
“É impensável não falar sobre essa compatibilização dos fluxos que está vindo da BR 040, sabendo que na hora que entrar no Anel Rodoviário não tem essa paridade na capacidade de fluxo. Já sabemos que vai formar filas e o cidadão vai dizer que uma obra desse calibre não resolveu o problema”, apontou Braulio Lara.
O vereador José Ferreira solicitou ao representante da PBH presente da audiência pública que priorize o alargamento do viaduto no bairro Califórnia, mencionando que o prefeito já se pronunciou que, até 2028, os viadutos serão duplicados para resolver o problema do trânsito. “Se já tem a proposta de duplicação da BR 040, esse viaduto tem que ser o primeiro a ser resolvido pelo prefeito”, disse.
Ele também apontou preocupação com a alça de retorno que atende a região Noroeste, que seria desfeita.
“Deixando de existir, os moradores da região Noroeste que adentram a BR para fazer retorno sentido Belo Horizonte, não vão ter mais essa opção. Terão que ir até Contagem, no viaduto, fazer retorno para vir sentido BH”, disse José Ferreira.
O parlamentar questionou os representantes da prefeitura se haveria um trâmite para possibilitar que a alça seja feita em outra área, que envolve um terreno privado e também uma área da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Ele perguntou se já foi feita a transferência dessa área municipal para a União, para que a obra possa ser executada. “Essa alça para o lado da SLU é uma oportunidade de fazer uma via pública dentro da SLU para sair na altura do bairro Pindorama”, apontou.
Negociações de área municipal
O diretor de Gestão do Anel Rodoviário, da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Fernando Pessoa, disse que não é o responsável por esse trâmite e não tem informações das últimas conversas. “A grande questão era exatamente a negociação com a SLU que tinha projeto lá no aterro sanitário de construir um depósito de restos de materiais de construções, algo do tipo, e nisso estava evoluindo a discussão para eles poderem ceder o terreno. A informação que tive é que estavam chegando a um acordo com a Via Cristais”, disse.
O vereador Braulio Lara reforçou a necessidade de identificar o ponto focal do assunto dentro da prefeitura para cobrar celeridade. “Se puderem nos passar [o nome do ponto focal], eu e José Ferreira vamos fazer encaminhamento de indicação para que esse assunto não atrase”, disse.
Frederico Souza, da Via Cristais, informou que a obra não estava prevista no contrato de concessão, mas foi uma demanda do próprio Município para que fosse incluída. Ele também afirmou estar em diálogo com o Executivo desde o final do ano passado, mas destacou que precisa de um “sinal verde” da prefeitura nos próximos dias.
Encaminhamentos
Ao final da reunião, os vereadores reforçaram que vão buscar formas de acelerar o aval do município para a realização dessa parte da obra. “Nós queremos realmente que a Secretaria de Obras acelere esse processo. Vamos sentar com o prefeito para poder avançar nisso. Não podemos perder essa grande obra que vai valorizar nosso Anel e nossa cidade de BH”, disse José Ferreira, que lembrou que a pasta foi convidada para a audiência pública.
“Nós, vereadores, temos total interesse em não deixar essas pontas soltas, porque é um projeto que interessa a população e é muito bom ver que tem perspectiva real de em 2027 estarmos vendo isso em funcionamento”, sintetizou Braulio Lara.
Superintendência de Comunicação Institucional



