AUDIÊNCIA PÚBLICA

Uso do cateter hidrofílico em pacientes com traumas na coluna vertebral em pauta

Irlan Melo (PSD) propõe debate para que SUS adote equipamento que diminui riscos de infecções urinárias e lesões de uretra 

terça-feira, 21 Setembro, 2021 - 14:30
mãos enluvadas manuseiam cateter ao lado de uma cama hospitalar, durante o dia.

Foto Eliola/Pixabay

Acidentes que provoquem traumas na coluna vertebral podem exigir que os pacientes utilizem cateteres para o esvaziamento da bexiga. Irlan Melo (PSD) afirma que o tipo de cateter atualmente utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de Belo Horizonte é o de PVC, o que potencializa riscos de complicações como infecções urinárias, sangramentos uretrais e lesões de uretra. Como objetivo de diminuir estes riscos, a Comissão de Saúde e Saneamento realizada audiência pública nesta quarta-feira (22/9), às 13h, no Plenário Helvécio Arantes, a pedido do vereador, para debater a utilização do cateter hidrofílico para o manejo da bexiga neurogênica (causada por lesão neurológica) na rede de saúde da Prefeitura. Cidadãos interessados no debate podem participar por meio de formulário eletrônico disponível no Portal CMBH até o encerramento da reunião.

No requerimento, Irlan Melo conta que o relatório de recomendação n° 459, apresentado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em julho de 2019 estima que a incidência de Trauma Raquimedular (TRM), os traumas na coluna, no Brasil, é de 40 casos novos por milhão de habitantes ao ano. Destes casos, 80% das vítimas são homens e 60% se encontram entre os 10 e 30 anos de idade. Esses pacientes utilizam regularmente  o cateter, por apresentarem bexiga neurogênica. Os membros da Conitec recomendaram a incorporação do cateter hidrofílico para cateterismo vesical intermitente em indivíduos com lesão medular e bexiga neurogênica como maneira de prevenir as complicações mencionadas. 

Tipos de cateteres

O Ministério da Saúde descreve que os pacientes com lesão medular geralmente apresentam sintomas como paralisia ou paresia dos membros, alteração de tônus muscular e dos reflexos superficiais e profundos, alteração ou perda das diferentes sensibilidades, perda de controle esfincteriano, disfunção sexual e alteração de sudorese e controle de temperatura corporal. As repercussões urológicas causadas pela lesão na medula espinhal constituem umas das maiores preocupações para a equipe de reabilitação, pois o mau funcionamento vesical (bexiga urinária e esfíncter urinário) pode, quando assistido inadequadamente, acarretar complicações que vão desde a infecção urinária, cálculos vesicais até, em casos extremos, perda da função renal. 

O relatório da Conitec descreve vários tipos de materiais para cateteres vesicais: o de PVC ou plástico, barato, com grande diâmetro interno e rigidez correta para a aplicação individual, mas passível de causar alergias; o de plástico livre de PVC, que causa menos alergias; e o de silicone, material mais biocompatível e com menos riscos de toxicidade, resistente a água, oxidação e produtos químicos. Para a comissão, o cateter com revestimento hidrofílico de poliuretano com revestimento hidrofílico tem camada de lubrificante de alta capacidade de absorção de líquidos, o que provoca redução do risco de infecções urinárias, maior satisfação e melhor qualidade de vida. Embora esse tipo de cateter tenha custo superior, seu uso evita infecções intercorrentes. 

O Ministério da Saúde entende que o cateter hidrofílico pode ser utilizado no âmbito do SUS, assim como quaisquer outros registrados junto à autoridade sanitária para os fins em debate.  A Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS especifica os procedimentos de cateterismo e não o tipo de cateter a ser utilizado, deixando ao gestor local a escolha do material utilizado na Atenção Primária à Saúde, na Atenção Domiciliar e na internação hospitalar. A Portaria 37, de 24 de julho de 2019, do Ministério da Saúde, tornou pública a decisão de incorporar o cateter hidrofílico para cateterismo vesical intermitente em indivíduos com lesão medular e bexiga neurogênica, conforme estabelecido pelo Ministério da Saúde, no âmbito  SUS. A partir da publicação da decisão de incorporar tecnologia em saúde, as áreas técnicas do Ministério têm prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta ao SUS, conforme prevê o Decreto nº 7.646/2011.

Foram convidados para a audiência o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto; o doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e chefe do Setor de Urologia da Fleury Medicina e Saúde, José Carlos Truzzi; a doutora em enfermagem da Universidade de Brasília (UNB), enfermeira da Equipe de Estomaterapia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná e Fundadora do Instituto Fluir, Gisela Maria Assis; a mestre em enfermagem pela UNB, especialista em Estomaterapia e enfermeira do ambulatório de Proctologia e Estomaterapia do Hospital Base de Brasília, Alexandra Isabel de Amorim Lino; e os usuários de cateteres João Kerson Pereira, portador de deficiência, e Bruna Bruzette Borges, portadora de miolomenogoceles.

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