MULHERES VIVAS

Seminário reúne vereadoras, convidados e público para debater feminicídio

Na abertura, evento teve apresentação de dados sobre o feminicídio e presença de deputadas. Programação incluiu feirinha e oficina de teatro

sexta-feira, 8 Março, 2019 - 16:00
Fotos: Bernardo Dias/CMBH, Helder Costa/CMBH e Karoline Barreto/CMBH

A Câmara Municipal está realizando o seminário “Mulheres Vivas: um olhar crítico sobre o feminicídio”, nos dias 7 e 8 de março, em vários espaços da Casa. O evento é uma iniciativa da bancada de mulheres, formada pelas vereadoras Bella Gonçalves (Psol), Cida Falabella (Psol), Marilda Portela (PRB) e a presidente Nely Aquino (PRTB), no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor. Estão previstas palestras, oficinas, encontros e ações dedicadas à discussão do feminicídio e da violência contra a mulher. A abertura do evento contou com a presença das vereadoras da bancada, da deputada federal e ex-vereadora Áurea Carolina (Psol) e da deputada estadual Andreia de Jesus (Psol). O coletivo de teatro da Gabinetona (gabinete das vereadoras Bella Gonçalves e Cida Falabella), “As Diferentonas”, apresentou uma esquete. Ainda no dia 7, a programação incluiu uma oficina de teatro e uma feirinha solidária de produtos artesanais.

Durante a abertura foram apresentados dados sobre o feminicídio no telão do Plenário, e a presidente Nely Aquino lembrou que o tema é importante para toda a sociedade e só pode ser resolvido se todos se unirem. Em contrapartida, comentou da falta de interesse de colegas em participar da discussão. Também falou sobre a naturalização da violência e do menosprezo contra a mulher, principalmente quando ela resolve ocupar seu espaço na sociedade: “Ou você faz aquilo que querem ou você morre, é espancada, ou perde a sua liberdade. O mimimi das mulheres, o mimimi do feminismo se tornou o sangue das mulheres brasileiras, dia após dia sendo assassinadas”.

“Nossa revolução é profunda, é duradoura, e é sem volta. Quando uma de nós avança, não tem machista nenhum que possa nos deter, só nos matando. E mesmo assim, a cada uma de nós que é tombada, surgem várias outras. Somos sementes”, acrescentou a deputada federal Áurea Carolina. A parlamentar elogiou a presidente pela agenda feminista, numa “conjuntura terrível que a gente está atravessando no nosso país, em que os nossos direitos são atacados todos os dias, em que a nossa capacidade é questionada, em que a nossa inteligência é subestimada e em que as nossas vidas são dizimadas”. 

Ex-empregada doméstica e uma das primeiras mulheres negras a ocupar a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a deputada estadual Andreia de Jesus realçou a relação entre crise econômica e afastamento da mulher do espaço público, focando no sistema prisional. Para ela, essa “reserva de mercado”, formada por mulheres afastadas do mercado de trabalho por conta da crise, tem como destino o extermínio ou a prisão, principalmente por envolvimento com o tráfico e pequenos roubos ou furtos - geralmente associados à manutenção da família e dos filhos. Ela também abordou a tortura psicológica, física e moral permitida no sistema prisional.

Bella Gonçalves lembrou que, dentre as várias estratégias de dominação da política machista, inclui-se criar divisões entre as mulheres, “tática recorrente que a gente soube, juntas, superar aqui dentro da Câmara”. A dominação também pressupõe, de acordo com a parlamentar, o ataque ao corpo das mulheres: “Desde que invadiram o nosso continente, atacar os corpos das mulheres é fundamental para se avançar sobre os territórios”.

Para Cida Falabella, seguindo a mesma vertente de Gonçalves, a competição entre as mulheres não pode existir, porque “dentro desse lugar a gente seria simplesmente massacrada”. Falabella destacou que o feminicídio, apesar de atingir mais agudamente alguns segmentos sociais, atravessa todas as classes e realidades: “O machismo está à direita e à esquerda”, exemplificou.

Feira solidária

Antes da abertura oficial do evento, das 9h às 17h, funcionários e público externo puderam conferir a feirinha solidária, na Portaria 2 da Câmara Municipal. Quinze expositores (mulheres, em sua maioria) vendem produtos artesanais diversos, de culinária, vestuário e acessórios até plantas e decoração. Além disso, quem passou por lá pôde admirar a decoração do hall de entrada, com cartazes que remetem a ações das mulheres por direitos, e os quadros de Lorrayne Antonielle, moradora da Ocupação Eliana Silva (Região do Barreiro), retratando especificamente a luta por moradia. Um café da manhã também foi servido no local.

Teatro

Durante a tarde, a mestre em Artes Cênicas e diretora Cristina Tolentino ministrou a oficina de teatro “Corpo e Movimento”, no Plenário JK. Desde 1994 ela integra o núcleo de pesquisa teatral Bayu e, desde 2017, o Teatro Mulheres de Luta, que reúne mulheres da ocupação Carolina Maria de Jesus (Região Central). “Teatro não é fim em si mesmo. É um meio de recuperar nossa humanidade”, disse. A diretora destacou o papel político e até mesmo revolucionário do teatro. 

Assista ao vídeo da reunião na íntegra.

Superintendência de Comunicação Institucional

1º Dia - Seminário Mulheres Vivas