Tileléo fala de projetos sobre segurança de lares de idosos e descarte de lixo
Vereador do PP destaca ainda sua atuação comunitária, com o espaço que leva seu nome, e a infância difícil no Jardim Vitória
Reprodução YouTube
Na madrugada do dia 5 de março, a cidade recebeu a triste notícia de que um lar de idosos havia desabado no bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de Belo Horizonte. Mais de uma dezena de pessoas morreram e outras tantas ficaram soterradas. No mesmo dia, o vereador Tileléo (PP) protocolou um projeto de lei que busca obrigar instituições de longa permanência para idosos a apresentarem laudo de integridade estrutural de seus imóveis. Em entrevista ao videocast Câmara em Foco, o parlamentar conta que acompanhou os resgates e que a proposta nasceu ali, em meio ao drama das famílias que buscavam notícias de seus parentes. “Não vou colocar culpados. Mas precisamos acompanhar de perto esse serviço que é prestado na nossa cidade. Temos de estar atentos à infraestrutura, à humanização do atendimento, e em respeito à responsabilidade que é estar atendendo aos queridos que se encontram nessa situação”, diz. Além de discorrer sobre algumas de suas propostas para a cidade, a exemplo das que tratam do descarte de resíduos sólidos, Tileléo lembrou de passagens de sua vida, como quem lhe deu o apelido e por que afirma que sua campanha foi “uma das mais baratas da história recente da capital mineira”. No vídeo, ele fala ainda do Espaço Tileléo, e se emociona ao recordar de sua infância, quando perdeu o pai e a mãe bastante novo e precisou ser criado por um irmão mais velho e pela cunhada.
Tragédia no Jardim Vitória
Tileléo conta acompanhou de perto o resgate das vítimas do desabamento da instituição de longa permanência para idosos do bairro Jardim Vitória. Sensibilizado com a notícia das mortes e vendo a situação dos feridos, protocolou o PL 732/2026, que obriga essas instituições a apresentarem laudo de integridade estrutural de seus imóveis. O documento deverá conter avaliação das condições das fundações, estrutura, coberturas e instalações; identificação de manifestações como fissuras, recalques, infiltrações e corrosão de armaduras; classificação do risco estrutural da edificação (baixo, médio ou alto); recomendações de intervenção e prazo para execução das obras necessárias.
“É uma forma de trazer segurança jurídica e estrutural para essas edificações na nossa cidade”, acredita Tileléo.
Caso o projeto seja aprovado e sancionado pelo Executivo, o laudo deverá ser renovado a cada dois anos, ou imediatamente após qualquer reforma, ampliação ou sinistro que afete a estrutura do imóvel.
Descarte irregular
Autor do PL 738/2026, que institui o Programa Municipal de Incentivo à Denúncia de Descarte Irregular de Resíduos Sólidos, Tileléo diz que a ideia é oferecer 20% do valor arrecadado com a multa ao denunciante. “Quem faz o descarte irregular de lixo tira o resíduo da porta de sua casa e joga na porta do outro, né?”, aponta o vereador. Ele diz que tem consciência de que muitas pessoas irão argumentar que a quantidade de Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes (URPVs) é insuficiente. Acredita, no entanto, que seja possível mudar essa situação.
“Se continuarmos com o nosso trabalho, tenho certeza que vamos não só aumentar a quantidade de URPVs nos bairros como limpar nossa cidade com a ajuda da população”, destaca.
Outro projeto ligado à limpeza urbana é o que autoriza a Prefeitura de Belo Horizonte a expandir as funcionalidades do aplicativo digital BH SIM. De acordo com o texto do PL 829/2026, o objetivo é permitir o acompanhamento em tempo real da coleta de resíduos sólidos, o que evitaria o descarte antecipado nas calçadas. “Precisamos dar aos cidadãos a possibilidade de colocar o lixo no local adequado e na hora certa”, diz.
Espaço Tileléo
Tileléo explica que era presidente da creche comunitária Sossego da Mamãe quando levou uma proposta ao então prefeito Alexandre Kalil. Queria, além de educação, levar acompanhamento psicológico e terapêutico não só às crianças, mas também aos funcionários. “Na época, falaram assim: ‘cara, você está louco, quer misturar educação com saúde’. Mas eu sempre tive essa preocupação de tratar a saúde mental e psicológica das pessoas”, afirma. De acordo com ele, a Sossego da Mamãe foi a primeira creche em Belo Horizonte a ter um psicólogo lotado na instituição.
Com o passar do tempo, no entanto, a administração municipal decidiu rever o programa. “Eu perdi a psicóloga e fiquei não só entristecido, mas um pouco também desnorteado”, diz. Ele diz que se perguntava: “E agora, o que a gente faz com essas famílias?”. Nessa época foi procurado por uma professora de dança, que precisava de um espaço para continuar seus trabalhos. Surgiu aí o Espaço Tileléo, no bairro Jardim Vitória, primeiramente com dança e atendimento psicológico. Hoje, o espaço reúne também aulas de muay thai e boxe, fonoaudiólogos e nutricionistas, entre outros.
“O Espaço Tileléo nasceu no meu coração e no de outras pessoas que acreditam nesse trabalho. Os colaboradores não têm vínculo empregatício comigo e eu não faço política com a imagem daquele local; muito pelo contrário, eu reforço aqui o meu compromisso de continuar trabalhando pela questão do assistencialismo educacional, psicológico e terapêutico na nossa cidade”, ressalta.
Tileléo explica ainda porque colocou, em sua apresentação no portal da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que sua campanha em 2025 foi uma das mais “econômicas da história recente da cidade”. Segundo ele, foram recebidos R$ 25 mil de seu partido, além de duas doações de R$ 1 mil, de seu irmão e de sua mulher. “No final, ainda devolvemos aos cofres públicos cerca de R$ 1,6 mil”, conta.
Memórias da infância
Perguntado de onde surgiu o apelido que se transformou em seu nome parlamentar, ele tratou de esclarecer que não foi algo que veio de seu trabalho com a educação infantil. “Como eu tenho esse trabalho com creches da rede parceira, muita gente acha que veio daí, mas é um mito”, diz. Batizado de Leonardo José Rodrigues Martins, ele era chamado de Tileléo por uma sobrinha. Como salienta, o nome pegou.
Sua família é constantemente lembrada na entrevista. Tileléo perdeu o pai quando tinha 4 anos de idade. Sua mãe foi assassinada quando ele tinha de 5 para 6 anos. O pequeno Leonardo, juntamente com outros três irmãos, foi criado então por seu irmão mais velho, Jefferson, e sua cunhada Ilza, na época com 19 e 18 anos, respectivamente. “Foi uma trajetória difícil, mas a gente seguiu pelo caminho correto. Conseguimos construir um caminho por meio da educação que meu irmão, a quem chamo de pai, nos proporcionou”, afirma.
Superintendência de Comunicação Institucional


