ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Rodízio no fornecimento considerou condição operacional, não econômica

Copasa garantiu que regiões afetadas por revezamento após rompimento de adutora foram eleitas com base em critérios técnicos

quarta-feira, 13 Abril, 2022 - 18:45
Um jarro de água despeja o líquido em um copo transparente . Em segundo plano, a tela do computador com imagem desfocada
Foto: Karoline Barreto /CMBH

O rodízio no fornecimento de água que afetou vários bairros de Belo Horizonte e Região Metropolitana entre os dia 8 e 20 de março levou em conta apenas a capacidade técnica dos sistemas, sem distinção de status econômico das regiões. Foi o que a Copasa garantiu em reunião da Comissão de Saúde e Saneamento, na última quarta-feira (13/4). Além de questionar a empresa sobre os critérios adotados no revezamento, o colegiado indagou à Prefeitura sobre as medidas adotadas para garantir o reequilíbrio do abastecimento e uma distribuição mais homogênea em todas as regiões da cidade. O racionamento de água no período foi motivado pelo rompimento de uma adutora no Sistema Serra Azul, localizado na bacia do Rio Paraopeba, em Juatuba. Confira na íntegra a reunião. 

Bella Gonçalves (Psol), que solicitou a reunião disse que não foram transparentes os critérios para estabelecimento de rodízio e reclamou da falta de clareza da metodologia utilizada para definição do revezamento e de acesso às informações sobre “por que em alguns bairros centrais não faltou água em nenhum momento, enquanto que na periferia tivemos uma situação de calamidade hídrica”. A parlamentar defendeu que é preciso um plano público sobre a utilização de água que garanta a priorização humana no abastecimento, e questionou a Copasa por que bairros como Lurdes, por exemplo, não participaram do rodízio.  

Obra mais rápida com adutora de menor vazão 

Gerente das Copasa responsável pelo macro abastecimento da Região Metropolitana, Geraldo Marques explicou que, apesar da integração entre os sistemas, há diferenças significativas quando se trata de suprir a necessidade um do outro e alegou que não é possível fazer o transporte da água de uma única bacia para todas as regiões, que são abastecidas por sistemas diversos. "Incluímos no revezamento as regiões onde temos condições de fazer transferência efetiva de água para abastecer outra região, de forma a minimizar os impactos provocados pelo rompimento da adutora”, esclareceu. O gestor enfatizou que não adiantaria incluir a Região Centro-sul da cidade no rodízio, uma vez que o sistema não permite o transporte de água dessa região para aquela que ficou desabastecida. 

Geraldo Marques destacou que todo o processo foi divulgado pela mídia para que a população pudesse se organizar e que a Copasa optou por utilizar uma adutora com menor vazão com o objetivo de agilizar a obra de reconstrução. Ele assegurou que a combinação da vazão dos Rios Paraopeba e das Velhas, aliada à vazão do reservatório Várzea das Flores, no momento, é capaz de garantir a segurança hídrica de BH e da RMBH, mesmo com uma adutora de menor capacidade, e descartou a possibilidade de novos rodízios. O representante da Copasa informou que uma nova adutora, com a mesma capacidade da anterior que foi danificada, ainda será instalada.

Necessidade de investimentos 

Diretor de Gestão de Águas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ricardo Aroeira contou que a PBH acompanhou todas as medidas adotadas pela Copasa e considerou adequadas as decisões tomadas. Para ele, o rodízio foi a melhor estratégia encontrada pela empresa  dentro das possibilidades e flexibilidades operacionais que o sistema oferece para tentar mitigar os impactos do “ato de vandalismo” que destruiu a adutora. 

Ricardo Aroeira assegurou que, apesar do sistema atender de forma satisfatória BH e a RMBH, o Município cobra da Copasa obras para aumentar o nível de resiliência do sistema, pois adventos como rompimento de barragens de rejeitos trouxeram à baila a discussão sobre o investimento em maior nível de flexibilidade operacional. De acordo com o diretor, o tema é tratado internamente pela administração municipal, com a Copasa, e também é pauta no Conselho Municipal de Saneamento da capital. Ele enfatizou que a PBH faz questão de manter esse debate em alta, inclusive com a participação da sociedade civil. 

Atraso na entrega de obras 

Ao afirmar que existe um problema estrutural no transporte de água entre os sistemas de captação do Paraopeba e do Rio das Velhas, Bella Gonçalves lembrou que a Copasa teria proposto a construção de um sistema de transporte de águas entre a Bacia do Veras e a do Paraopeba. A vereadora quis saber sobre o andamento desta obra e também das obras de captação - realizadas pela Vale - que deveriam ter sido entregues em 2020. Ela também questionou se há estudos para projetos a longo prazo para que não venha a faltar água na cidade. 

Representante da Copasa, Nubia Nole foi enfática ao afirmar que nenhum sistema de abastecimento é pensado para suportar ações de supressão completa de uma de suas unidades. Ela explicou que todas as integrações que existem atualmente atendem às necessidades de abastecimento da capital e da RMBH. Segundo ela, em função da existência de integração do Sistema Paraopeba - composto pelos reservatórios do Rio Manso, Serra Azul e Várzea das Flores - é que foi possível, logo após o rompimento da adutora, restabelecer o serviço de abastecimento de água, ainda que parcial, para a população. Nubia Nole garantiu que não há distinção entre bairros de classe alta e periferia. “Se o acidente fosse no Rio das Velhas, haveria a mesma  situação para os consumidores  assistidos por aquele sistema”, disse. 

Grupo de Trabalho

Bella Gonçalves sugeriu a criação de um Grupo de Trabalho dentro da Comissão de Saúde e Saneamento para se debruçar sobre esta questão e informou que vai solicitar à PBH que disponibilize informações sobre estudos hídricos da cidade em algum canal público. A vereadora ainda denunciou que a Copasa tem acumulado e distribuído lucros para seus acionistas e defendeu que é preciso garantir que a concessionária faça investimentos em obras para impedir que a população sofra com a falta de água. “Ainda que seja por questões técnicas, o desabastecimento ocorre. Porém, o problema tem solução: a construção de adutoras de transferência, de novas captações e a proteção dos mananciais de água da Região Metropolitana”, finalizou. 

Participaram da reunião os vereadores Dr Célio Frois (sem partido) , Cláudio do Mundo Novo (PSD) e José Ferreira (PP). 

Superintendência de Comunicação Institucional 

Reunião com convidados para prestar esclarecimento sobre o rodízio/revezamento no fornecimento de água para bairros de Belo Horizonte e Região Metropolitana - 10ª Reunião Ordinária: Comissão de Saúde e Saneamento