MATA DO PLANALTO

Garantia de preservação da área verde é compromisso assumido pela PBH

Prefeitura pretende propor uma troca de terreno com o atual proprietário após aprovação do Plano Diretor 

quarta-feira, 7 Junho, 2017 - 16:15
Vereadores e populares em visita técnica à Mata do Planalto
Foto: Rafa Aguiar / CMBH

Constituindo-se como uma ilha verde em meio a uma região amplamente pavimentada e adensada, a Mata do Planalto, localizada na Região Norte da capital, recebeu na manhã desta quarta-feira (7/6), visita técnica da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana. Solicitada pelos vereadores Edmar Branco (PT do B) e Juliano Lopes (PTC), a atividade, que contou com a participação de lideranças comunitárias e representantes do poder público, trouxe novamente o debate acerca da incansável luta pela preservação da última grande reserva ambiental de Belo Horizonte. A Fundação de Parques Municipais defende a proteção da área e a prefeitura teria proposto a troca do terreno, de propriedade particular, por uma área pública.

A moradora e presidente da Associação do Bairro Planalto, Maghali Ferraz, conta que o movimento pela preservação da Mata do Planalto já dura oito anos. A área, bioma de Mata Atlântica, possui cerca de 300 mil m², 20 nascentes que formam o Córrego Bacuraus e deságua no Rio das Velhas, flora composta de Ipê Amarelo, Jacarandá da Bahia e outras espécies ameaçadas de extinção; fauna de 68 espécies de aves, como tucanos, beija-flor de fronte violeta e tantas outras ameaçadas de extinção; micos e vários répteis.

Atualmente, as companhias que pretendem empreender no local trabalham para obter o licenciamento para a construção de 16 prédios, com 16 andares, totalizando 760 apartamentos, com 1300 vagas de garagens. Para Maghali, “tal obra irá impactar a região e provocará devastação ambiental, com consequentes mortes de animais, destruição da flora e supressão de 20 nascentes, mudança radical do microclima da região e piora na qualidade de vida dos moradores”.

Em defesa do patrimônio

O presidente interino da Fundação de Parques Municipais, Sérgio Augusto Domingues, explicou que a Mata do Planalto é uma propriedade privada e a expectativa da população é que todo o local venha a ser uma área protegida. Domingues afirmou que esses fragmentos de Mata Atlântica em uma cidade como Belo Horizonte são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema como a regulação do clima, o habitat para vários animais, a recarga hídrica devido às várias nascentes, além da absorção de águas de chuva. “A gama de serviços ambientais que uma área verde deste porte presta para a população é de grande valia”, disse. Domingues também alertou que é preciso recorrer a estas poucas áreas remanescentes que ainda existem no município e, todo o olhar que pudermos ter para áreas como essa é de grande relevância e muito significativa para a população.

De acordo com o representante do Legislativo no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam), vereador Juliano Lopes, em reunião na PBH no mês de março, juntamente com alguns representantes da Associação do Bairro Planalto, o prefeito Alexandre Kalil novamente reafirmou a necessidade de preservação da mata, como fez na época de sua campanha, em 2016. Ainda segundo o parlamentar, “a prefeitura pretende propor uma troca de terreno com o atual proprietário, que também não pode ser prejudicado, já que a área é um terreno particular, medida esta que só deve ser tomada após a aprovação do Plano Diretor”.

Para Edmar Branco, a importância de preservação da Mata do Planalto não favorece somente a região e sim, toda a cidade de Belo Horizonte. Branco também lembrou o compromisso que o poder público tem com a preservação do meio ambiente: “temos que lutar para que a mata venha a ser um patrimônio da cidade e então ela deverá ser tratada como um bem intocável. Para isso, os empreendimentos da cidade não devem ter lugar nas áreas verdes”. 

Superintendência de Comunicação Institucional

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