BAIRRO LAJEDO

Moradores de avenida da Região Norte convivem com esgoto a céu aberto

Falta de serviços básicos de infraestrutura também configura o descaso do poder público com a comunidade

quinta-feira, 25 Maio, 2017 - 15:30
Vereador Edmar Branco e comunidade em visita técnica ao Bairro Lajedo
Foto: Rafa Aguiar / CMBH

Atendendo a antiga reivindicação da comunidade, a Comissão de Saúde e Saneamento realizou, nesta manhã (25/5), visita técnica à Avenida Desembargador Cândido Martins de Oliveira, no Bairro Lajedo, Região Norte de BH, onde a falta de rede de esgoto causa sérios transtornos aos moradores. O requerente da visita, vereador Edmar Branco (PT do B), explicou que o objetivo é conhecer de perto a rotina das famílias, que há mais de 30 anos não têm acesso a serviços como saneamento básico, pavimentação urbana e coleta de lixo, além de suportarem um forte mau cheiro.

Acesso precário

A avenida, que não é asfaltada, apresenta alto risco de contaminação pela exposição ao esgoto. Os moradores, que convivem diariamente com o mau cheiro, capturam escorpiões na beira do córrego e dentro de suas próprias casas. Segundo uma moradora, os acidentes são constantes, uma vez que precisam andar por caminhos íngremes e esburacados para terem acesso a escolas, postos de saúde e outros serviços. A situação piora muito em época de chuva, quando o local chega a ficar intransitável.

Ainda de acordo com relatos da comunidade, a situação da avenida também contribui para a desova de veículos roubados e até mesmo corpos, uma vez que não existe policiamento no local, devido à dificuldade de acesso. Ambulâncias, correios e vários serviços de entrega também não conseguem atender às demandas das cerca de 600 famílias que ali vivem.

Sem coleta de lixo, os moradores contam que têm que levar seus resíduos até a cesta coletora em ruas próximas que, pelo tamanho, também não comporta a quantidade de lixo produzido. “Devido à distância, muitos moradores acabam jogando seu lixo dentro do córrego, já bastante infectado, uma vez que recebe todo tipo de resíduos de residências de outros bairros da região”, denunciou a moradora Lourença.

Resíduo hospitalar

Outra denúncia confirmada na visita foi o descarte de esgoto do Hospital Sofia Feldman no córrego que atravessa a avenida, principalmente pela madrugada, quando, segundo os moradores, o volume de água e o mau cheiro aumentam. Segundo o gerente do Distrito Noroeste da Copasa, Gilberto Gomes Ferreira, uma obra já está sendo realizada na cabeceira do córrego, com a finalidade de sanar o problema de descarte do hospital e de grande parte da rede de esgoto da avenida.

Ferreira afirmou que a execução de outras intervenções por parte da Copasa depende da participação da prefeitura e de outros órgãos responsáveis. “A região é muito carente de infraestrutura. Para que os serviços realizados pela Copasa possam funcionar, é preciso que a prefeitura também intervenha em alguns pontos da área afetada”, explicou o gerente.

Ações imediatas

Acompanhado por moradores e representantes da Copasa, da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), da SLU e da Secretaria de Administração Regional Municipal Norte, o vereador Edmar Branco percorreu toda a extensão da avenida a fim de conhecer as necessidades básicas e os problemas enfrentados pela comunidade. “É necessário que os órgãos competentes possam adotar as medidas emergenciais, amenizando o sofrimento desses moradores, proporcionando-lhes mais dignidade e qualidade de vida”, desabafou Branco.

O parlamentar afirmou que a prefeitura e a Sudecap se comprometeram a desenvolver um projeto de acessibilidade, que será apresentado para a comunidade no prazo de aproximadamente 90 dias. Também serão enviados ofícios para os dois órgãos, além da Copasa, pedindo intervenções emergenciais que venham possibilitar a infraestrutura básica aos moradores da avenida. 

Superintendência de Comunicação Institucional

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