OCUPAÇÃO URBANA

Quase mil moradores da Ocupação Liberdade, no Barreiro, sofrem com falta de água encanada

Residente no local há sete anos, comunidade enfrenta falta de água para higiene pessoal, para cozinhar e até para beber

quinta-feira, 14 Novembro, 2019 - 16:30
Foto: Bernardo Dias/CMBH

Mais de 200 famílias que moram numa área denominada Ocupação Liberdade, no Bairro Bonsucesso, na Região do Barreiro, sofrem com o abastecimento precário de água. “Chega até a um mês a falta d’água em casa. Falta água pra beber, pra cozinhar e pra tomar banho”, reclama a moradora Adriana Maria da Silva, de 38 anos, que vive num barraco com o marido e dois filhos. Por iniciativa da vereadora Bella Gonçalves (PSOL), a Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor realizou, nesta quinta-feira (14/11), uma visita técnica ao local com o objetivo de cobrar a regularização do fornecimento de água para todos os moradores da ocupação.

Segundo a vereadora, a visita é o início de um processo de lutas para conseguir superar as dificuldades de uma comunidade que não é devidamente atendida pelo poder público. “E este é o momento para fazer o problema visível. Não ter água é uma violação dos direitos do cidadão”, afirmou. E não é só a falta de água que aflige os moradores. Eles também reclamam da falta de acesso ou acesso precário a outros serviços públicos como energia elétrica, correio, transporte, saúde e educação. Entretanto, é frequente a atuação dos profissionais da saúde e da educação na comunidade, com crianças matriculadas em escolas da região e registradas no posto de saúde mais próximo.

Para Bella Gonçalves, a Ocupação Liberdade, que existe há sete anos, já é um “território consolidado “e não tem nenhum cadastramento da Prefeitura para definir corretamente o número de pessoas e de construções existentes”. O único levantamento existente foi feito, há algum tempo, pelo coletivo Brigadas Populares que cadastrou 80 famílias na Ocupação Liberdade. “Atualmente tem muito mais e existe mais de uma família ocupando o mesmo imóvel”, garante a militante do coletivo, Michele Reis. As intervenções existentes e que proporcionam um mínimo de conforto para os moradores foram feitas pela própria comunidade: pequenos trechos de calçamento, nomenclatura de ruas e numeração de casas, pontos de captação de água, são alguns exemplos.

Estrutura é antiga, segundo Copasa

O gerente do Distrito Regional BH/Sudeste da Copasa, Ronaldo Serpa, disse que o problema de abastecimento na Ocupação Liberdade se deve ao fato de que o sistema dimensionado para atender toda a região foi feito há mais de 20 anos e a água passa por duas etapas de bombeamento para chegar até ao local ou próximo dele. “Não estamos segurando água. A realidade atual é muito diferente de quando o sistema foi projetado”. Segundo ele, no curto prazo não tem como resolver o problema. “Temos que ter autorização para resolver o problema do abastecimento regular. Um fórum de debates é o início do processo”, justificou.

O analista sócio ambiental da Copasa / BH-Sudeste, Cristiano Abdanur, disse que é preciso a comunidade se organizar “para nos dar o aval institucional para resolver o problema. A cidade é viva e nós estamos o tempo todo atuando em algum ponto”, concluiu. A intervenção do morador André Luis Santana, técnico em telecomunicações, praticamente fechou a discussão: “Essa conversa é para um deserto e não para uma capital rica como Belo Horizonte. A gente mora na Capital ou no deserto?”

Também participou da visita o engenheiro Fernando Zanetti, também do Distrito Regional BH/ Sudeste da Copasa.

Superintendência de Comunicação Institucional

Visita técnica para averiguar as condições necessárias para regularização do fornecimento de água da Ocupação Liberdade - Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor