MOBILIDADE URBANA

Com expansão imobiliária, moradores temem caos do trânsito no Betânia

Além das medidas compensatórias, comunidade e agentes públicos pretendem buscar outras soluções para diminuir o tráfego

quarta-feira, 28 Junho, 2017 - 17:30
Foto: Rafa Aguiar / CMBH

Moradores, lojistas e pessoas que circulam pela Rua Úrsula Paulino, uma das principais do Bairro Betânia, relatam que o tráfego nas imediações tem se tornado cada vez mais impraticável, principalmente em horários de pico, devido ao fluxo excessivo de veículos. Atendendo à solicitação da comunidade, que teme o caos no trânsito da região com a chegada de vários empreendimentos imobiliários, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário realizou audiência pública nesta quarta-feira (28/6). Além das medidas compensatórias, serão buscadas outras soluções para diminuir o tráfego na via.

Segundo o requerente da atividade, vereador Irlan Melo (PR), nos últimos anos, o Bairro Betânia se transformou no polo de desenvolvimento da Região Oeste de Belo Horizonte. “Com o surgimento de grandes empreendimentos imobiliários, faz-se necessário que cidadãos e poder público busquem um planejamento para o fluxo do trânsito na região, que atualmente já é bastante intenso”. Já o vereador Wesley da Auto Escola (PHS) lembrou que boa parte dos moradores dos bairros vizinhos opta por trafegar pela via, na expectativa de fugirem do trânsito do Anel Rodoviário ou por se tratar de um corredor comercial da região.

Obras viárias

O gerente de Diretrizes Viárias da BHTrans, Tácio Francisco Porto Lemos, informou que não existe nenhum projeto de obra viária previsto para a Rua Úrsula Paulino. No entanto, para cada licença concedida a empreendimentos imobiliários, como contrapartida são determinadas medidas compensatórias  e/ou mitigadoras, revertidas em melhorias na própria região do empreendimento ou em outras regiões do município. Além disso, “todo manejo de adequação das vias no entorno dos empreendimentos é de responsabilidade dos incorporadores”, afirmou Lemos.

De acordo com o secretário da Regional Oeste, Gelson Leite, para toda e qualquer intervenção a ser realizada na via é preciso que seja feita uma análise de impacto. “Através do diálogo com a comunidade é possível averiguar todos os tipos de interesse dos diversos seguimentos que utilizam a via, como motoristas, comerciantes, usuários de transportes públicos e pedestres”, afirmou Leite. O gerente ainda informou que todas as sugestões para a melhoria do trânsito na via serão levantadas juntamente com a comunidade e os órgãos responsáveis.

Shopping e apartamentos

O representante do empreendimento Central Park, Mateus Safar, informou que o shopping possui 60 lojas já entregues e, acima dele, ainda em obras, três torres com 488 apartamentos. Com a liberação do projeto, um estudo de impacto no trânsito local determinou que fossem feitas medidas compensatórias, segundo Safar, já realizadas, como a construção de canteiro central e retorno, repavimentação das vias próximas ao empreendimento, além de reformas em praças e na BR 381. “Quanto ao trânsito, já bastante carregado, o empreendimento causa pouco impacto na situação, que já está consolidada no local”, alegou Safar.

Questionado pelo vereador Carlos Henrique (PMN) a respeito do impacto que o empreendimento poderá trazer para o trânsito local, o superintendente da Direcional Engenharia, Francisco Brasil, esclareceu que a obra de loteamento prevê a construção de cinco condomínios com um número final de cerca de duas mil unidades habitacionais, das quais 240 já foram entregues. Assim como o Central Park, o licenciamento exigiu diversas medidas compensatórias e mitigadoras, como o alargamento e a interligação de ruas e rodovias, a revitalização do Parque Jacques Cousteau e a reforma do posto de saúde do bairro. Brasil garante que até o final deste ano todas as obras a serem realizadas estarão concluídas.

Morador e representante da Associação Comercial do Bairro Betânia, Pedro Franco, lembrou que a infraestrutura do bairro precisa acompanhar o crescimento urbano e comercial da região. “Com a construção de tantas unidades residenciais e comerciais, é preciso investir em melhorias nos serviços de redes de esgoto e pluvial, postos de saúde, escolas e segurança pública”, alertou. Quanto ao trânsito, Franco acredita que uma boa solução seria a implantação de placas de sinalização, principalmente para motoristas que utilizam a Rua Úrsula Paulino como passagem, informando a possibilidade de acesso pela Via 210, que é hoje muito pouco utilizada.

Encaminhamentos

Após a realização da audiência, Irlan Melo informou que será levantada, junto aos órgãos responsáveis, a possibilidade de “regionalização” das medidas compensatórias, ou seja, que as intervenções de contrapartidas sejam executadas no mesmo bairro em que o empreendimento será realizado.

Também será solicitada uma visita técnica ao bairro, para que, junto com a BHTrans, seja avaliada a possibilidade de instalação de placas indutivas na interligação da Via do Minério com a Rua Úrsula Paulino, informando a possibilidade de acesso pela Via 210.

Superintendência de Comunicação Institucional