Audiência pública discute a violência nas escolas



“Este pedido nasceu porque tenho recebido muitos telefonemas, e-mails e relatos, em conversas informais com pais e professores, sobre a violência nas escolas. e também devido às notícias publicadas pela imprensa que relatam o problema”, explicou a vereadora.
No ano passado, 17 alunos foram assassinados, fora da escola, na região Norte de Belo Horizonte, segundo informações da Secretaria Municipal de Educação.
De acordo com os números divulgados durante os debates, em 2008 foram registradas 2.617 intervenções policiais nas 192 escolas do município, envolvendo agressões a filhos de outro, violência de pais contra professores reclamando que os professores maltratam alunos e até mesmo ameaças de morte a professores . Também foram registradas, de acordo com levantamento feito nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008, outros tipos de violência , como 317 agressões que chegaram as vias de fato, 186 ameaças e 71 lesões corporais e quatro portes de armas. Foram 117 furtos e 21 invasões de prédios escolares.
Entre as ações listadas para prevenção, estão a contratação de 462 vigilantes, 253 guardas municipais e 593 porteiros além da instalação de vigilância eletrônica em 96 escolas, mais programas e projetos de prevenção como o Escola Integrada, o Escola Aberta, o Segundo tempo , a Rede Pela Paz e Escola que Protege.
O diretor do Sindirede, Vanderson Paiva apresentou um estudo segundo o qual 57% dos professores afirmam que já foram agredidos por pais de alunos e outros 74% admitiram ter sido ameaçados pelos pais de alunos, “mas esses números seriam ainda maiores se as escolas registrassem os casos, elas não fazem ocorrência por que as vítimas ficam desprotegidas”, disse Paiva.
Ele propôs a realização de um Seminário para discutir alternativas e soluções para essa situação.
O vereador Ronaldo Gontijo (PPS), disse que existe uma lei municipal, número 9.422, aprovada pela Câmara e sancionada pelo ex-prefeito Fernando Pimentel em 01.08.2007, que sugere medidas para prevenir a violências nas escolas municipais por meio da formação de equipes regionalizadas para discutir as causas e não as conseqüências da violência. “sou professor da rede municipal de ensino e sei que a violência está acabando com a escola que está perdendo o papel educador para virar uma espécie de policia. Precisamos discutir as causas, identificar por que isto tudo está acontecendo e tem que ser de maneira regionalizada por que a violência é diferente de acordo com região e a partir daí apresentar soluções também regionalizadas”, disse.
Segundo o vereador, a cada dia mais professores estão adoecendo devido ao stress dessa violência dentro das escolas. A vereadora Maria Lúcia Scarpelli, autora do requerimento que deu origem à discussão, disse no final da reunião, que a Comissão de direitos Humanos e Defesa do Consumidor defende que esta discussão “seja coletiva envolvendo pais, alunos, professores, funcionários e toda a comunidade. Antes, nós discutíamos a qualidade do ensino hoje estamos discutindo a questão das violência. Por isso, decidimos pedir às entidades de pais, alunos, trabalhadores, sindicatos tanto da rede pública quanto particular, que nos envie propostas que serão transformadas em documento e levadas ao prefeito. Mas essa discussão não acaba aqui, hoje, com esta audiência Pública. Vamos marcar uma nova reunião para aprofundar a discussão, reunir as propostas e formatar uma política que nos permita enfrentar e por um fim nesta situação de horror,” finalizou a parlamentar.
Informações na Superintendência de Comunicação Institucional (3555-1105/3555-1216).