Condições de passarela entre o Santa Tereza e o Pompéia preocupam moradores
PBH informa que ordem de serviço para restauração da passagem já foi assinada e projeto provisório será concluído até dezembro
Foto: Cláudio Rabelo/CMBH
As condições estruturais e de segurança da ponte de pedestres que liga os bairros Santa Tereza e Pompéia foram discutidas em audiência realizada pela Comissão de Administração Pública e Segurança Pública nesta quarta-feira (28/10). Moradores relataram acidentes ocorridos durante a utilização da passarela, criticaram a falta de definição sobre o início das obras e cobraram uma solução do Poder Executivo. Gestores da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi) informaram que a ordem de serviço para restauração da ponte foi assinada nesta quarta-feira (28) e que o projeto para intervenção será elaborado até o início de dezembro. Uner Augusto (PL), requerente do debate, declarou que acompanhará as próximas etapas e enviará um ofício à BHIP, a concessionária de iluminação pública de Belo Horizonte, solicitando a avaliação de soluções para a passarela.
Problema antigo
A ponte que interliga a pista de cooper da Avenida dos Andradas à Rua Conselheiro Rocha possibilita o deslocamento de pedestres entre os bairros Santa Tereza e Pompéia. No entanto, moradores apontam problemas de conservação e relatam a ocorrência de acidentes e ferimentos durante a travessia. Uner Augusto relatou que seu mandato acompanha a situação da passarela desde janeiro de 2025 e, nesse período, foram protocolados ofícios cobrando obras e melhorias, além de realizadas cinco visitas técnicas; a primeira em dezembro de 2025. “Na ocasião, o gabinete recebeu a informação de que a restauração seria realizada em março de 2026, mas as intervenções não ocorreram conforme o previsto”, afirmou o parlamentar.
Uner Augusto destacou a importância da passarela para a mobilidade entre os dois bairros e ressaltou que a estrutura é utilizada diariamente por idosos, crianças, ciclistas e outros moradores. Segundo o vereador, a audiência pública teve como objetivo dar visibilidade às ações de fiscalização realizadas pelo mandato e obter da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informações atualizadas sobre as medidas previstas para a recuperação da ponte.
Riscos na travessia
“Eu já participei de corridas e hoje eu não posso correr mais”, disse Mara Lúcia Fernandes, moradora da região, vítima de um acidente na passarela em fevereiro deste ano, quando uma das tábuas de madeira cedeu enquanto ela atravessava a estrutura. Com a queda, ela machucou o tornozelo e precisou ser levada ao hospital, onde foi informada da necessidade de cirurgia. Desde então, passou por dois procedimentos e deverá ser submetida a uma terceira cirurgia. “Fiquei três meses sem trabalhar. Usei muleta, andador. Foi uma fase muito complicada”, disse Mara Lúcia.
Mara também alertou para os riscos provocados pelas chapas metálicas instaladas no piso, que, segundo ela, ficam escorregadias quando chove. Ela relatou ter presenciado quedas de outros usuários e destacou ainda a presença de buracos e pregos expostos na estrutura.
“Eu fico alertando ali, com medo de que o que aconteceu comigo aconteça com outra pessoa. Foi muita dor. Eu tive que parar a minha vida”, contou Mara Lúcia.
Indefinição sobre as obras
Thiago de Souza, liderança da Vila São Rafael e que utiliza a passarela desde a infância, também demonstrou preocupação com as condições da estrutura. Ele lembrou que, no passado, a substituição das madeiras tornava a travessia mais segura, mas afirmou que, ao longo dos anos, os reparos passaram a ser feitos com chapas de ferro. Segundo Thiago, o estado de conservação da ponte tem levado algumas pessoas a evitar o trajeto e percorrer cerca de um quilômetro a mais para utilizar uma ponte de concreto. Ele também criticou a falta de definição sobre o início das intervenções e relatou que, em diferentes ocasiões, recebeu informações de que as obras começariam em poucos dias ou meses, sem que as melhorias fossem efetivadas.
“Todo mundo reclama. O risco ali é enorme. Eu acho que a prefeitura só vai fazer a obra quando acontecer algo mais grave”, afirmou Thiago.
Posicionamento da prefeitura
Representantes da Prefeitura de Belo Horizonte informaram que a passarela receberá intervenções emergenciais para melhorar as condições de segurança dos usuários enquanto é planejada a construção de uma nova estrutura. Segundo Marcelo Lovalho, da Gerência de Obras de Arte Especiais e Canais, vinculada à Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi), o contrato anterior de manutenção e recuperação estrutural foi encerrado em 2025, o que impediu a realização de intervenções mais abrangentes. Nesse período, a administração regional realizou reparos paliativos, com a instalação de chapas metálicas para cobrir buracos no piso e evitar a interdição da passagem.
Marcelo Lovalho informou que a ordem de serviço do novo contrato de manutenção foi assinada nesta quarta-feira (28) e que a passarela é tratada como prioridade. O gestor explicou, no entanto, que as intervenções terão caráter provisório e não garantirão a adequação da passarela às normas de acessibilidade. Segundo ele, a solução definitiva seria a construção de uma nova ponte, cuja execução depende da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), que já foi acionada para incluir a obra no planejamento municipal.
Gustavo Fiorini, representante da Smobi, reconheceu que houve atraso no processo de licitação do contrato de manutenção e afirmou que a equipe acompanhará o andamento dos trabalhos. O gestor informou que, após o início das atividades da empresa contratada, será realizada uma avaliação técnica para definir as intervenções necessárias, como recuperação do piso e instalação de novo guarda-corpo. A estimativa apresentada é de que o projeto de recuperação seja concluído até o início de dezembro, permitindo o avanço para a etapa de execução.
“Estamos empenhados. Realmente, a parte burocrática atrasou bastante, mas agora que está na nossa mão, que a [ordem de serviço] OS realmente foi assinada, podem ficar tranquilos que eu vou me empenhar nisso aí. Ela [a passarela] é prioridade nossa”, declarou Gustavo Fiorini.
Encaminhamentos
Uner Augusto destacou que a assinatura da ordem de serviço representa uma garantia de avanço no processo e afirmou que continuará acompanhando as próximas etapas. Informado de que o contrato de restauração não contempla o serviço de iluminação da passarela, o parlamentar também afirmou que encaminhará um ofício à BHIP, concessionária de iluminação pública de Belo Horizonte, solicitando que a empresa, em conjunto com a Gerência de Obras de Arte Especiais e Canais, avalie soluções para a iluminação da estrutura.
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