SUS

Em pauta dificuldade de fixação de médicos no SUS e falta de pediatras

Em audiência pública realizada na sexta-feira (24/5) pela Comissão de Saúde e Saneamento, a população cobrou aumento dos repasses da União para o Sistema Único de Saúde e priorização da área pela Prefeitura. Entre as principais carências estão a falta de médicos de família, de medicamentos e insumos. Os médicos argumentaram que deixam o SUS em busca de maiores salários. Também foi questionada a ausência de pediatras na rede privada.

sexta-feira, 24 Maio, 2013 - 00:00
Falta de médicos no SUS pode ser justificada por más condições de trabalho

Falta de médicos no SUS pode ser justificada por más condições de trabalho

Em audiência pública realizada na sexta-feira (24/5) pela Comissão de Saúde e Saneamento, a população cobrou aumento dos repasses da União para o Sistema Único de Saúde e priorização da área pela Prefeitura. Entre as principais carências estão a falta de médicos de família, a dificuldade de marcação das consultas e a falta de medicamentos e insumos. Os médicos argumentaram que deixam o SUS em busca de maiores salários. Também foi questionada a ausência de pediatras na rede privada. Foi proposta a padronização das remunerações na região metropolitana e a valorização da consulta pediátrica.

“Esse é um problema cíclico. O profissional médico começa a trabalhar no posto de saúde, mas sai por maiores salários e em função do excesso de demanda”, destacou o vereador Dr. Nilton (PSB), requerente da audiência.

Saúde pública

Médicos municipais presentes na audiência apontaram para as inúmeras dificuldades sofridas diariamente no exercício do trabalho. Entre elas, a falta de médicos de família na composição das equipes do Programa Saúde da Família (PSF), o que geraria sobrecarga de trabalho aos profissionais e redução na qualidade do atendimento prestado à população. Dados apresentados pelos médicos indicam que, das 583 equipes do PSF que atuam na capital, mais de 90 estão em médicos. Considerando que cada equipe atende a uma média de quatro mil usuários, o sistema já mantém cerca de 360mil pessoas sem assistência.

Os profissionais explicam que cada equipe é administrada por um médico de família, que ficaria extremamente sobrecarregado ao atender quatro mil pacientes. De acordo com os médicos, há casos em que a Prefeitura solicita que assinem receitas sem avaliar os pacientes, de forma a dar agilidade ao procedimento. Para os profissionais, o limite responsável seria o atendimento de até dois mil usuários por equipe, para que se garanta a qualidade no serviço. Nesse sentido, seria necessário dobrar o número de médicos contratados.

Além das equipes reduzidas, o sistema único de saúde vem sofrendo com a falta de infraestrutura adequada: insuficiência de leitos para internação; falta de insumos como luvas, soro venoso e oral; dificuldade no agendamento das consultas; precariedade dos prédios, consultórios e banheiros; baixa qualidade do sistema de informática e impressoras, impossibilitando a impressão adequada das receitas e pedidos de exames, além da constante falta de medicamentos. Os profissionais argumentam que não falta dinheiro, mas prioridades, destacando que o Brasil é a oitava economia mundial e só precisaria colocar a saúde em primeiro lugar.

Melhores salários ou novas contratações?

Os médicos e entidades representativas defenderam o aumento dos salários na rede municipal de saúde como forma de segurar os profissionais no setor público. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o salário-base de um médico do PSF, com carga horária de 40h semanais, varia entre R$ 8.556,28 e R$ 10.356,28. Diante desses valores, considerados baixos pela categoria, os profissionais estariam deixando o serviço público em função de ofertas maiores. A proposta defendida pelo setor é a equiparação dos salários a valores de mercado.

“Precisamos é padronizar, unificar os salários dos médicos na capital e região metropolitana para acabar com esse leilão de quem dá mais”, destacou o vereador Wellington Bessa “Sapão” (PSB), defendendo a ampliação da oferta de médicos para a população por meio da contratação de profissionais estrangeiros. O parlamentar ainda apontou dados do Ministério da Saúde que indicam o déficit de médicos no país quando, diante da abertura de 147mil vagas, existem apenas 93mil médicos formados.

De acordo com o secretário municipal de saúde, Marcelo Gouvêa, um dos grandes problemas da falta de médicos está na concentração de faculdades nas grandes cidades e na formação em baixa escala. “Enquanto grandes universidades do mundo formam 200 profissionais, formamos 60”, ponderou o secretário, defendendo a proposta do serviço civil obrigatório como forma de minimizar o déficit e de cobrar dos profissionais uma contrapartida por sua formação viabilizada com recursos públicos.

Para permitir novas contratações e melhorias na estrutura de saúde, Marcelo Gouvêa cobrou o aumento de repasses do Governo Federal, lembrando a campanha realizada no país, com o apoio da Câmara Municipal de Belo Horizonte, para recolhimento de assinaturas em apoio ao projeto de lei de iniciativa popular prevendo repasse de 10% das receitas correntes brutas da União para o SUS.

O secretário destacou ainda a importância de uma investigação mais profunda nas razões da falta de investimento, lembrando que grandes operadoras de planos de saúde privados são financiadoras de candidaturas políticas e teriam a perder com o desenvolvimento de uma saúde pública universal, como previsto pela constituição federal.

Rede privada

De acordo com dados do Conselho Regional de Medicina, a pediatria é a especialidade com maior número de registros, no entanto, não há disponibilidade de médicos da área na rede credenciada aos planos de saúde. A entidade acredita que a falta de pediatras na rede privada de saúde se daria pela desvalorização do profissional. Sendo uma especialidade generalista e que não realiza procedimentos, como cirurgias, a remuneração do médico pediatra se resumiria às consultas. De acordo com os profissionais, os convênios pagam cerca de R$50,00 por consulta, e a somatória mensal não estaria compensando.

Participaram da reunião os vereadores Dr. Nilton (PSB), Bim da Ambulância (PTN), Wellington Bessa “Sapão” (PSB), Dr. Sandro (PCdoB) e Jorge Santos (PRB).

Assista à reunião na íntegra

Superintendência de Comunicação Institucional