SEGURANÇA PÚBLICA

Comunidades pedem a implantação de mais bases móveis da PM

Moradores e agentes apontam aumento da sensação de segurança depois das mudanças nas estratégias da corporação

segunda-feira, 27 Novembro, 2017 - 20:30
Comissão Especial recebe agentes de segurança e cidadãos para avaliar nova estratégia
Foto: Abraão Bruck/Câmara de BH

Completando três meses de funcionamento, as 86 Bases de Segurança Comunitária (BSC) da Polícia Militar (PMMG) instaladas em praças e corredores de maior fluxo vêm agradando moradores e comerciantes, que já observaram redução de índices de roubos em alguns bairros e maior sensação de segurança nas comunidades atendidas. O balanço da implantação foi realizado nesta segunda (27/11) em audiência Comissão Especial de Estudo - Fechamento de Companhias da PM. Além da previsão de ampliação das áreas cobertas e extensão do horário de funcionamento, a corporação afirmou que não há previsão do fechamento das 24 Cias da PM na capital e ressaltou a responsabilidade de todos na prevenção e combate à criminalidade.

Presidindo a audiência, da qual foi a requerente, a vereadora Nely (PMN) relatou opiniões e reivindicações colhidas por ela e sua assessoria durante as interações com a população, especialmente na Regional Venda Nova. Segundo ela, ainda que o número de unidades seja considerado insuficiente para cobrir todas as áreas críticas, a avaliação de moradores e comerciantes sobre a instalação das bases móveis tem sido altamente positiva. Partindo dessa constatação, a audiência buscou apurar, junto à própria PM e outros atores envolvidos, quais os impactos observados desde a entrada da medida em vigor e quais as perspectivas para sua ampliação e aprimoramento. A vereadora transmitiu ainda, à corporação, o questionamento da população quanto ao suposto fechamento das companhias da PM instaladas em diversos bairros da capital.

Descentralização e sensação de segurança

De acordo com o representante da Polícia Militar, major Willdré Fortunato, que acompanhou todo o processo de planejamento e instalação das unidades móveis, apesar de ainda não ter sido constatada redução significativa do número de ocorrências, já foi possível perceber uma melhora substancial nas relações entre a polícia e a comunidade, com a maior proximidade dos agentes com o dia a dia do bairro e seus moradores. O oficial explicou ainda que, além de uma van devidamente equipada e aparelhada, com a presença constante de dois policiais fixos, cada Base de Segurança Comunitária dispõe de duas motocicletas (num total de 172), que percorrem vias da região em patrulhamento preventivo, ajudando a prevenir ocorrências e aumentar ainda mais a sensação de segurança.

De acordo com o major Fortunato, o objetivo da medida, além de garantir a maior aproximação e fortalecimento dos laços de familiaridade e confiança e entre polícia e comunidade, foi o de descentralizar as operações, garantindo a cobertura efetiva de mais pontos da cidade. Segundo ele, a ideia do projeto, inserido no escopo do programa “Mais Segurança” do governo estadual, é enxugar e centralizar as atividades administrativas nas 24 companhias e descentralizar o trabalho operacional, deslocando maior contingente de policiais para as ruas. Para este fim, a cidade foi dividida estrategicamente em 98 territórios; destes, 86 receberam as BSGs - as demais estão sob a responsabilidade do Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco (GEPAR).

Segundo o oficial, a localização das bases, que distam em média 2km umas das outras, resultou de estudos técnicos e estatísticos, configurando uma rede de apoio e atendimento mais condizentes com a realidade de cada bairro. Em sua avaliação, não apenas o efetivo aumento da segurança, mas o aumento da sensação de segurança impacta de forma extremamente positiva na qualidade de vida da população, que se reapropria dos espaços públicos. Com relação ao horário de funcionamento, atualmente das 14h às 23h, ele afirmou que o projeto se encontra em fase experimental e poderá ser estendido após análises.

Mobilização popular

A presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep) da Regional Venda Nova, Ana Cristina Drummond, e a coordenadora da Rede de Vizinhos Protegidos, Sandra Santos, além de outros moradores, também testemunharam a repercussão e os resultados positivos da nova estratégia, que vem agradando os moradores da Regional Venda Nova e reduzindo os índices de criminalidade em alguns pontos antes críticos. De acordo com as representantes, populações de outras regionais também vêm elogiando a maior acessibilidade dessas estruturas em relação aos batalhões e companhias, que muitas vezes estão geograficamente distantes ou intimidam o cidadão comum. Como reivindicação, eles destacaram o aumento das áreas cobertas e maior número de motocicletas à disposição de cada unidade.

Elogiando a constância e regularidade da participação da PM nas reuniões e atividades do Consep, Ana Cristina ressaltou a importância da mobilização e da colaboração de todos, por meio da associação a grupos específicos, de compartilhamento de informações e de vigilância, bem como a participação nas reuniões do Conselho. Segundo ela, é essencial que a população se aproprie dos espaços e instrumentos disponíveis para reivindicação, acompanhamento e controle social das ações do poder público.

Lideranças comunitárias da ragião Nordeste, no entanto, apontaram a falta de USCs nas áreas mais vulneráveis, em decorrência da desintegração e atual ineficiência dos programas Fica Vivo e GEPAR, que atuavam em conjunto na prevenção e combate à criminalidade nas áreas de risco. De acordo com eles, o sistema não estaria mais atendendo aos objetivos de sua criação e bairros como Paulo VI, Belmont, Monte Azul e Madre Teresa estariam em situação de desamparo absoluto, com assaltos frequentes a trabalhadores em plena luz do dia.

Mais bases móveis

Também participando da audiência, o representante da Guarda Municipal de BH, Crislem Martins, reconheceu a maior efetividade da atual estratégia, que aliada às novas prerrogativas da instituição municipal, vem facilitando a proteção das áreas mais expostas como escolas, postos de saúde e comércios.  Segundo ele, muitas áreas antes percorridas pelas viaturas da Guarda já não causam preocupação, devido à instalação da BSC nas proximidades. À sugestão do estabelecimento de parcerias com a PM e de maior participação nas reuniões do Consep, ele garantiu que encaminhará as demandas ao comando da corporação. Ao tratar da segurança de motoristas de ônibus, Nely lembrou o projeto de lei de Pedro Bueno (Pode), que obriga a instalação de “botão de pânico” nos coletivos da cidade e está pronto para ser votado em Plenário.

Como encaminhamento da audiência, Nely informou que irá requerer, no âmbito da comissão especial, o envio de Indicações e ofícios aos órgãos pertinentes, relatando as principais demandas apresentadas na reunião e solicitando o aumento do número de unidades móveis, de forma a cobrir um número cada vez maior de áreas e de pessoas, bem como a disponibilização de mais motocicletas de apoio, cuja circulação vem intimidando os bandidos e proporcionando mais tranquilidade da população em seu ir-e-vir cotidiano.

Superintendência de Comunicação Institucional