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Vereadores recebem sinais que os identificam junto à comunidade surda

Assunto: 
INCLUSÃO
Batismo de Sinais na CMBH
Foto: Cristina Medeiros / CMBH

O ritual do batismo na comunidade surda consiste na escolha de um sinal próprio de identificação tanto para pessoas surdas quanto para ouvintes. Todos podem ter um sinal, que é único e escolhido pelos membros da própria comunidade surda. Com o objetivo de aproximar o Poder Legislativo municipal desta comunidade, os vereadores da capital mineira foram batizados, e os sinais designados a cada um já podem ser conhecidos por meio do Portal da Câmara, na seção vereadores. “É função da comunicação institucional buscar formas acessíveis e inovadoras de aproximar o Legislativo do cidadão. O batismo de sinais dos vereadores nasce exatamente dessa lógica de ampliar o acesso à comunicação pública. Não é apenas um gesto simbólico, é linguagem, identidade e pertencimento”, destaca Raquel Vasconcelos, superintendente de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Belo Horizonte, acerca dos batismos que asseguram que cada um dos 41 vereadores seja identificado por um sinal único junto à comunidade surda.

Na Câmara de BH, os batismos contaram com a participação da doutora em linguística, professora de Libras e integrante da comunidade surda Ivone Makhoul. Durante o processo de escolha dos sinais, foram avaliadas características visuais, trejeitos e a trajetória de cada parlamentar. “A avaliação é toda visual. Percebemos a atitude, como a pessoa usa as expressões faciais, corporais, o movimento que ela faz enquanto fala, o perfil mesmo, os trejeitos, todo o movimento. Temos vários critérios”, explica Ivone a respeito do batismo visual.

Sinais

O presidente da Câmara Municipal, Professor Juliano Lopes (Pode), conta que o sinal de identificação que recebeu da comunidade surda faz referência aos seus olhos claros. Já a vereadora Professora Marli (PP) relata que recebeu seu sinal dos alunos da Escola Francisco Sales, durante uma agenda com a comunidade surda. “Eu acho que, na época, foi por causa do meu corte de cabelo, que era reto, estilo Chanel, aí, as crianças ali já colocaram a minha identificação”, explica a parlamentar.

“O meu sinal vem do ‘J’ e desse sorriso que entenderam que eu carrego”, diz Juhlia Santos (Psol), que foi batizada por um representante da comunidade surda LGBTQIA+.

“Me atravessa num lugar muito especial ser batizada mais uma vez, que é esse lugar da inclusão, esse lugar da diversidade, da pluralidade das existências”, explica a parlamentar.  A vereadora ainda destaca que “pensar a língua de sinais é pensar para além do nosso ordinário, do nosso cotidiano enquanto ouvintes. Trazer este movimento aqui para a Casa é dizer que tem uma parcela da sociedade que precisa ser incluída”.

Inclusão

A expectativa da tradutora e intérprete de Libras Valdene Cordeiro é que a iniciativa do batismo aproxime a comunidade surda do Legislativo Municipal. “A comunidade surda, quando vê que a Câmara - que é um espaço público - tem esta iniciativa, ela passa a se interessar mais”, reflete a tradutora a respeito da importância de os espaços da política institucional estarem abertos à diferença. 

O batismo dos vereadores se soma a outras iniciativas da Câmara Municipal em prol da inclusão, como a tradução simultânea das reuniões por intérpretes de Libras, permitindo que a comunidade surda acompanhe em tempo real as discussões e decisões acerca do futuro da cidade.

Por meio do Portal da Câmara, também é possível conhecer as leis municipais de origem parlamentar que garantem direitos à comunidade surda, como a Lei 11.753/2024, que assegura a acessibilidade da pessoa surda ou com deficiência auditiva a cargo ou emprego provido por concurso público; e a Lei 10856/2015, que autoriza o Executivo a criar a categoria intérprete para deficientes auditivos no quadro permanente da Prefeitura.

Superintendência de Comunicação Institucional

Data publicação: 
sexta-feira, 24 Abril, 2026 - 19:30
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